Adeus ao eucalipto em aldeia cercada pelo fogo

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Moradores de Ferraria de S. João criam Zona de Proteção à Aldeia após incêndios. Árvores autóctones plantadas por voluntários.

Em junho, o fogo cercou Ferraria de S. João, aldeia do xisto, no concelho de Penela, cujo sobreiral centenário ajudou a travar o avanço das chamas. Depois do susto, os moradores decidiram criar uma Zona de Proteção à Aldeia, cortando os eucaliptos e substituindo-os por sobreiros, carvalhos e outras árvores autóctones num raio de pelo menos 100 metros.

“Vamos fazer acontecer” é o lema, num lugar com 39 habitantes, alguns vindos de fora. No fim de semana que passou, outras pessoas deixaram as suas terras para apoiar a reflorestação daquela, em regime de voluntariado, e receberam pulseiras onde se lia, justamente, “eu fiz acontecer”.

O presidente da Associação de Moradores de Ferraria de S. João, Pedro Pedrosa, diz que é aquela a mensagem que querem transmitir ao país: “Qualquer pessoa pode fazer qualquer coisa” para ajudar.

Desde sexta-feira até ontem, cerca de 200 voluntários passaram por ali para dar o seu contributo em vários níveis – da retirada de raízes até à implementação de medidas contra a erosão do solo (como o nivelamento do terreno e a construção de barreiras), passando pela plantação de árvores.

Os presentes aprenderam uma “técnica que não vão ver escrita em lado nenhum”, explicava um homem: aberta a cova para a nova árvore, há que pulverizá-la com água oxigenada, pois favorece o desenvolvimento das raízes.

Uma espécie de “agrofitness”

Uma das pessoas que o JN apanhou a trabalhar com uma enxada, ontem, foi o presidente da Câmara de Penela, Luís Matias, ali também como voluntário. “Chamamos a isto agrofitness”, gracejou o autarca.

Antes, em tom sério, havia falado do “exemplo” que aquela comunidade está a dar ao país. Não duvida de que “este modelo deve ser replicado, mas são precisos meios e enquadramento legal para se poder ter essa ação”.

“Isto só é possível porque houve acolhimento das pessoas”, nota.

Antes, houve 12 reuniões com a comunidade e vários trabalhos feitos, como o cadastro dos terrenos (foram identificados 70 proprietários e 255 parcelas) e o corte de eucaliptos numa área de monocultura densamente povoada.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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