Aluna com melhor tese de doutoramento do Mundo distinguida em Vila Real

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Susana Moreira estudou o comportamento de edifícios antigos durante os sismos. A tese de doutoramento foi distinguida como a melhor do Mundo na área da alvenaria, em 2016.

Uma distinção leva à outra e, esta quinta-feira, a jovem engenheira vai ser uma das personalidades homenageadas pela Câmara Municipal, quando se assinalam 92 anos da elevação de Vila Real a cidade.

Como não há duas sem três, o primo Carlos Pinto, enfermeiro emigrado em Londres desde 2014, vai receber a medalha de ouro da cidade. Uma honra para distinguir a ação heroica deste transmontano de Constantim, que prestou os primeiros socorros a uma jovem esfaqueada nos atentados de Londres, a 3 de junho.

“Vamos ter dois representantes, em situações diferentes. O meu primo tem todo o valor pela atitude que tomou, mediante aquela situação”, disse Susana Moreira, que será agraciada com a medalha de prata da cidade.

“Ela merece, porque é uma pessoa muito competente, muito trabalhadora e que sempre se empenhou muito”, retorque o primo Carlos Pinto.

Susana Moreira encaixou a notícia com modéstia. “Fiquei um pouco surpreendida”, disse, sem conter o sorriso. “Deixei pessoas, como os meus pais e a minha família, felizes e orgulhosos. E isso é a minha maior alegria”, disse a investigadora.

Susana Moreira fez todo o percurso escolar em Vila Real, até ingressar na Faculdade de Engenharia da Universidade do Minho, em Braga. “Explicaram-me que a medalha se deve ao meu percurso de investigação e ao prémio de melhor tese, na área da alvenaria, que de certa maneira ajudou a divulgar o nome de Vila Real na Comunicação Social”, disse Susana Moreira, com sotaque e sem preconceito.”Tenho todo o orgulho de representar a minha cidade”, acrescentou, resumindo a conclusão da monografia premiada.

“Estudei edifícios antigos com paredes exteriores de alvenaria, de pedra, e pisos interiores de madeira. Concluiu-se que se as ligações que existem entre os próprios pisos e as paredes são fortes, o edifício comporta-se melhor quando há um sismo”. A união faz a força e a resistência, também no edificado.

“Desenvolvemos, em conjunto com uma empresa portuguesa, a Monumenta, um reforço que permite melhorar essa ligação, do piso às paredes. Foi posto à prova em laboratório e correu bem, mas ainda não foi posto à prova num edifício inteiro”, explicou. “É aplicável em edifícios com paredes de alvenaria e pisos interiores de madeira, comum nos prédios pombalinos”, defendeu Susana Moreira.

A “thesis” pode ser particularmente útil para reforçar edifícios antigos em Lisboa, uma cidade cujo risco sísmico é real. “O perigo está lá sempre. O sismo, em Lisboa, vai acontecer de certeza, não sabemos é quando”, alertou Susana Moreira, de regresso a Portugal após um ano e meio a lecionar e a fazer investigação numa prestigiada universidade do Peru, um país com “uma sismicidade que é praticamente o dobro de Portugal” e onde os sismos são frequentes.

“Ainda estou a ver que desafios vou tomar, mas vou continuar ligada a área de conservação de património e reabilitação sísmica”, disse.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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