Até quando, Madonna?

É considerada uma das maiores pop stars desde a década de 80 e uma das grandes responsáveis pela mudança de comportamento social, no final do século XX.

Madonna conseguiu vender mais de 300 milhões de discos desde o início da sua carreira. Publicações importantes como a revista Forbes, elegeram a cantora como a mais rica do mundo, com uma fortuna estimada na ordem de 1 bilião de dólares.

As suas duas últimas tours – “Confessions Tour” e “Sticky and Sweet” – foram consideradas pela revista Billboard como as mais lucrativas da história de um artista a solo.

Considerada uma das 25 mais poderosas mulheres do século passado pela revista Time, por ser uma figura influente na música contemporânea, Madonna é constantemente chamada de Rainha da Pop e é conhecida por estar sempre a reinventar-se na música e na imagem.

Com efeito, desde o início da carreira até hoje, a artista tem passado por várias fases de Fashion que acompanham o espírito dos seus álbuns e das suas digressões mundiais. Entre as mais memoráveis estão o momento em que a cantora se transveste de Marilyn Monroe em “Material Girl” ou quando desafia a Igreja Católica em “Like a Prayer”, em 1989. Ou ainda a fase Evita Péron, em 1996, em que passou a adoptar um visual mais clássico. Em 1998, lançou “Ray of Light” e assumiu um visual gótico, com cabelos negros e longos. Depois disto, a rainha da pop já foi cowgirl, diva das pistas em estilo retro, fetichista, fez performances de sadomasoquismo em palco e simulou cenas de sexo nos seus espectáculos.

Madonna Louise Veronica Ciccone nasceu no Michigan a 16 de agosto de 1958. A mãe era de ascendência franco-canadiana e o pai era um americano filho de pais italianos. Madonna era a terceira de 6 filhos.

Com apenas 5 anos de idade teve de enfrentar a morte da mãe, vítima de cancro da mama. “Comecei a entender o que tinha perdido para sempre. A imagem final da minha mãe, ao mesmo tempo tão pacífica e grotesca, assombra-me até hoje”, disse um dia sobre o facto de ter perdido a mãe tão cedo.

O pai voltaria a casar e a ter filhos. Por essa altura, Madonna começou a expressar sentimentos de raiva para com o pai, algo que perdurou durante muitos anos.

Depois de receber uma bolsa de estudos de dança, conseguiu convencer o pai a deixá-la ter aulas de ballet. No final de 1977, mudou-se para Nova Iorque com apenas 35 dólares no bolso. Trabalhou como empregada de mesa até começar a dançar com pequenos grupos.

Com um namorado da época forma a sua primeira banda – Breakfast Club – onde cantava e tocava bateria e guitarra. Mais tarde, deixa essa banda e forma outra – Emmy – com um novo namorado.

Um músico alemão com ligações à Warner Bros Records repara nela e Madonna acaba por lançar o seu primeiro Single, “Everybody”, em outubro de 1982, que se viria tornar um sucesso das pistas de dança.

Aos poucos, o seu estilo e roupas, as suas performances e os videoclips, começam a influenciar o público feminino. E Madonna assume-se como uma tendência de moda da década de 1980.

É em 1984, com o álbum “Like a Virgin”, que alcança o reconhecimento mundial. O disco liderou os tops de vários países. Mas, com o sucesso, começou também a polémica que viria a acompanhá-la o resto da carreira. Várias organizações familiares queixaram-se de que a sua música e os seus vídeos promoviam sexo antes do casamento e comprometiam os valores da família. Conservadores e moralistas exigiram várias vezes que as músicas e os vídeos da cantora fossem banidos.

Indiferente à polémica e às críticas, “Like a Virgin” vendeu 25 milhões de cópias em todo o mundo.

Em 1985, Madonna dá início a uma carreira no cinema com “Desesperadamente à procura de Susana”, filme que mostrou a sua nova música, “Into The Groove”.

Enquanto filmava o vídeo para o tema “Material Girl”, Madonna começa a namorar com o actor Sean Penn e acabam por casar em 1985.

Madonna / Facebook

Em junho de 1986, é lançado “True Blue”, o 3º álbum da artista. Dele são retirados singles de enorme sucesso: “Live To Tell”, “Papa Don’t Preach” e “La Isla Bonita”. O álbum chegou ao top em 28 países, um feito sem precedentes na altura.

No ano seguinte, 1987, estreia o segundo filme protagonizado por Madonna, “Who’s That Girl?”.

Entretanto, na vida pessoal as coisas não correm bem. Em dezembro, Madonna e Sean Penn começam o processo de divórcio, alegando diferenças irreconciliáveis. Na altura, Sean Penn foi acusado de agressões e de abusos sexuais. O divórcio foi consumado em janeiro de 1989.

Na mesma altura, a artista assina um contrato milionário com a Pepsi. Num dos comerciais, Madonna estreia a canção “Like a Prayer”. O respectivo vídeo foi tudo menos consensual. Com símbolos católicos, como estigmas e cruzes em chamas, e manifestação de desejos sexuais com um santo, o Vaticano condena o vídeo. Por outro lado, grupos religiosos tentam boicotar a Pepsi.

Mas Madonna seguiu em frente, aparentemente incólume. A canção foi incluída no álbum com o mesmo nome e a revista Rolling Stone classificou-o como “o mais próximo que a Pop chegou à Arte”.

No final da década de 1980, Madonna é nomeada a ‘Artista da Década’, pela MTV e pela Billboard.

No começo de 1990, surge no filme “Dick Tracy”, ao lado de Warren Beatty com quem viria a ter um romance que durou menos de um ano.

Em novembro desse ano, é lançado “The Immaculate Collection”, a primeira compilação dos seus maiores sucessos. Vendeu mais de 32 milhões de cópias, tornando-se a colectânea mais vendida da história por um artista a solo.

No início de 1991, Madonna começa mais um relacionamento amoroso. Desta vez com um modelo e actor pornográfico de nome Tony Ward. Depois dele, também teve um romance de 8 meses com o rapper Vanilla Ice.

Em 1992, a artista fundou a sua empresa de entretenimento, a Maverick. O primeiro lançamento da empresa foi o livro “Sex”. Não foi bem aceite pelo público e pela crítica mas, ainda assim, vendeu quase 2 milhões de exemplares.

Nesta altura, surge o 5º álbum, “Erotica”.

Madonna / Facebook

Em 1996, Madonna protagoniza o filme “Evita”, no qual interpreta o papel de Evita Péron. Com o filme conquista o Globo de Ouro de Melhor Actriz. Além disso, um dos temas do filme, “You Must Love Me”, vence o Óscar de Melhor Canção Original.

Neste ano, Madonna envolve-se com com o bailarino e preparador físico cubano Carlos Leon e engravida. A 14 de outubro de 1996 nasce a primeira filha, Lourdes Maria. O relacionamento com o pai da filha viria a terminar em dezembro de 1998.

Após o nascimento da filha, Madonna começou a manifestar interesse pelo misticismo oriental da Cabala. O seu 7º álbum reflectiu essa mudança na sua imagem. O disco gerou críticas e opiniões positivas. Recebeu 4 prémios Grammy e foi eleito como um dos 500 maiores álbuns de todos os tempos pela revista Rolling Stone.

Em 2000 chega “Music”, um álbum que se caracteriza pelos elementos Dance e Electro, adicionados ao estilo Country, inédito na carreira da artista. Chegou ao primeiro lugar dos tops em mais de 20 países e vendeu 4 milhões de cópias em apenas 10 dias.

Na mesma época do álbum “Music”, Madonna envolveu-se com o produtor britânico Guy Ritchie, que tinha conhecido em1999. A 11 de agosto de 2000, nasce o filho de ambos, Rocco. Nesse ano, em dezembro, Guy e Madonna casam-se na Escócia.

Entretanto, Madonna vira-se para a Literatura Infantil. Assina um contrato com a editora Callaway para publicar 5 livros. O primeiro, “The English Roses”, foi publicado em setembro de 2003.

Em meados de 2004, começa a Re-Invention Tour que rendeu 125 milhões e dólares. A revista Rolling Stone coloca Madonna na lista dos 100 maiores artistas de todos os tempos.

Em 2005 é lançado o 10º álbum, “Confessions on a Dance Floor”. Segue-se a “Confessions Tour”, em 2006, que teve uma audiência global de 1,5 milhões de pessoas e rendeu quase 200 milhões de dólares.

Nesta Tour, Madonna usou símbolos religiosos como um crucifixo e uma coroa de espinhos em “Live To Tell”. Chegou mesmo a simular uma crucificação em palco. A actuação gerou protestos e críticas por parte da Igreja Ortodoxa Russa. O Vaticano também também protestou contra o espectáculo.

Adopções, mais milhões, divórcio e Portugal

Em outubro de 2006, a artista deu início ao processo de adopção de David Banda, um menino natural do Malawi. Uma adopção polémica, que gerou forte reação pública e que só viria a ser consumada em maio de 2008.

Ainda neste ano, a artista lança mais um álbum, o 11º, intitulado “Hard Candy”, com influências R&B e Hip Hop e que contou com as colaborações de Justin Timberlake e Pharrell Williams.

Para promover o álbum, realiza-se a Tour Sticky & Sweet que rendeu 410 milhões de dólares, tornando-se a mais lucrativa de sempre de um artista a solo.

Ainda em 2008, em dezembro, Madonna e Guy Ritchie oficializam o divórcio, depois de um ano conturbado e feito de muitos conflitos.

Em junho de 2009, a cantora volta a adoptar uma criança – Mercy James – outra vez no Malawi.

Em 2010, lança a linha de roupas “Material Girl” que desenhou com a filha, Lourdes.

Por outro lado, abre uma série de centros de fitness em Moscovo, Cidade do México, Santiago do Chile e Sydney.

Mais tarde, em 2014, Madonna aposta nos produtos de beleza e estética, lançando MDNA Skin, uma gama de produtos de cuidados de pele.

Março de 2015: o novo álbum, “Rebel Heart”. Seguiu-se a Tour com mesmo nome. Entre setembro de 2015 e março de 2016, Madonna foi a lugares onde já não cantava há muito, como o Japão e a Austrália, e a outros onde nunca tinha actuado, nomeadamente, Hong Kong, Macau, Filipinas e Nova Zelândia.

E chegamos a fevereiro de 2017, altura em volta a adoptar. Desta vez, duas irmãs gémeas do Malawi, de 4 anos, chamadas Esther e Stella.

Madonna / Facebook

No verão do mesmo ano, Madonna escolhe Portugal para viver com os 4 filhos adoptivos.

E foi em Portugal que nasceu o seu 14º álbum, “Madame X”, que viria a ter algumas influências de músicos que conheceu no país, nomeadamente, fadistas.

Com 61 anos de idade, Madonna parece ser ‘eterna’. Quando achamos que já teve melhores dias, ela regressa, apela à sua capacidade de reinvenção e reergue-se. Longe vão os tempos de ‘Like a Virgin’ ou de ‘Material Girl’, mas ela recusa-se a sair de cena e mantém-se como a ‘Rebeld Woman’ que sempre foi, desde o início da carreira.

Será caso para perguntar: até quando, Madonna?

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