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Aumento dos preços dos bens essenciais só abrandou no final de 2020

O aumento dos preços dos bens essenciais durante o primeiro ano da pandemia de covid-19 só começou a abrandar em dezembro do ano passado, de acordo com dados do Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo a taxa de variação homóloga (comparação com o mesmo período do ano anterior) do Índice de Preços no Consumidor (IPC) do INE, entre abril e novembro de 2020, os preços dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas foram aumentando mais de 2% face aos respetivos meses do ano anterior.

Se em março de 2020, mês em que os efeitos do confinamento se fizeram sentir em cerca de metade do tempo, os preços dos bens essenciais subiram 1,22%, a partir de abril a subida foi superior.

Em abril os produtos alimentares e bebidas não alcoólicas registaram uma subida de 3,82%, o maior aumento no período analisado pela Lusa, face ao respetivo mês do ano anterior.

Em maio, a subida dos preços foi de 2,25%, tendo crescido para 3,82% em junho e voltado a descer para 2,65% em julho.

Até novembro a evolução dos preços rondou as duas unidades, tendo sido de 2,27% em agosto, 2,00% em setembro, 2,46% em outubro e 2,06% no penúltimo mês do ano.

Apenas em dezembro a evolução dos preços face a 2019 ficou abaixo dos 2%, tendo sido de 1,52%, e em janeiro deste ano baixou ainda mais, para 1%, não deixando de ser um aumento face ao ano anterior em questão.

Em fevereiro deste ano o abrandamento foi maior, com o aumento do preço dos produtos alimentares e bebidas não alcoólicas face ao mesmo mês de 2020 a ser de 0,89%.

Também observando o valor nominal do índice do INE, estabelecido em 2012 com base 100, se pode verificar que depois do maior aumento em abril de 2020, para 108,274, depois de 105,890 em março, os preços nunca mais regressaram à casa dos 105 pontos.

Como exemplo, um índice de 105,890 significa que os preços dessa categoria estão 5,890% acima dos preços médios verificados no ano de 2012, segundo explica o INE à Lusa.

Assim, entre maio de 2020 e fevereiro deste ano os índices de preços no consumidor de produtos alimentares e bebidas não alcoólicas foram de 107,190 (maio), 108,292 (junho), 107,631 (julho), 107,202 (agosto), 106,871 (setembro), 107,333 (outubro), 106,992 (novembro), 106,204 (dezembro), 106,736 (janeiro) e 106,575 (fevereiro).

À Lusa, o INE refere que “atualizações do painel de produtos e variedades observadas, alargamento da cobertura e do âmbito, alterações metodológicas nas fórmulas de cálculo dos agregados elementares, alterações à periodicidade de observação dos preços, entre outras modificações, podem ser introduzidas no início de cada ano, conduzindo a um aperfeiçoamento contínuo do indicador”.

“Assim, a amostra atual do IPC não é a mesma que existia em 2012, tendo sido atualizada anualmente, com particular destaque para o mês de janeiro de 2018, em que os resultados do último Inquérito às Despesas das Famílias serviram de base a uma atualização mais profunda do cabaz do IPC”, adiantou ainda o INE.

A Lusa questionou a Deco – Associação Portuguesa para a Defesa do Consumidor acerca destes aumentos, tendo fonte oficial respondido que não foram registadas reclamações acerca do preço dos bens não essenciais.

Acerca do tema foi também contactada a Associação Portuguesa de Empresas de Distribuição (APED), que engloba as principais cadeias de supermercados, mas a Lusa não obteve resposta para os motivos que levaram ao aumento dos preços.

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