Basílio Horta avisa Madonna: “Há coisas que o dinheiro não paga”

Presidente da Câmara de Sintra diz que “não cabe na cabeça de ninguém deixar entrar um cavalo num palácio do século XVIII”. Mas a cantora norte-americana “tentou tudo” para que isso fosse possível, num videoclip filmado em património histórico cedido pela autarquia. Basílio Horta recusou. E até a polícia municipal foi chamada a intervir.

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A filmagem do último videoclip de Madonna, “Indian Summer”, gerou um inédito conflito com a Câmara Municipal de Sintra. E tudo por causa de uma única cena, que a produtora pretendia filmar no hall principal de um palácio setecentista, de que a autarquia é proprietária. O guião descreve a cena como: “cavalo deitado no chão a interagir com a protagonista” e a produtora prometia até “um tempo de filmagem muito reduzido”, que previa durar entre “1 hora e 1h 30”. “Por motivos de segurança” a Câmara chumbou a proposta. E a cantora não gostou.

Esta história começa há cerca de duas semanas, altura em que a “Twenty four seven”, uma produtora nacional de videos, dirige à Câmara de Sintra um pedido de autorização para utilização da Quinta Nova da Assunção para efeitos de gravação de um clip “para o mercado internacional de uma cantora conhecida mundialmente”.

O pedido deu entrada nos serviços da autarquia no passado dia 12 e solicitava a reserva o espaço entre os dias 15 e 20 deste mês. As filmagens ocorreriam apenas nos dois últimos dias e, de acordo com a produtora, seriam feitas “no período noturno, entre as 17h e as 7h”.

“Como é normal, o pedido foi enviado e analisado pelos serviços respectivos”, explicou ao Expresso fonte oficial da Câmara. O nome de Madonna não era mencionado e o processo seguiu “os trâmites habituais”. A cedência do espaço foi autorizada, tal como os pedidos feitos para a modificação de alguns pormenores da decoração.

Apenas uma cena foi «chumbada». “Por questões de segurança” a entrada de um cavalo no Palácio do século XVIII foi vetada. “O soalho de madeira assenta sobre uma caixa de ar e podia ser danificado”, explica a mesma fonte. Segundo o parecer técnico da Câmara, a que o Expresso teve acesso, “o piso do rés do chão assenta sobre estrutura de vigas de madeira, sendo a caixa de ar ventilada, portanto um piso não estabilizado estruturalmente, o que impede a utilização de atividades que provoquem vibrações”.

No entanto, havia ‘ok’ para tudo o resto. A primeira cena, descrita como “a actriz deitada na cama do seu quarto” ou aquela em que se filma “um grupo de bailarinas a ensaiar” ou ainda a filmagem da protagonista a “circular no corredor e pelo interior de algumas salas”, foram todas avalizadas. “Não implicavam risco para o património, nem para a segurança”, conclui.

“Tentaram tudo. Até chamar o PM”

A preparação das filmagens começou, como previsto, no dia 15, mas foi na terça feira que os problemas surgiram. Já com Madonna no ‘set’ de filmagens, a cantora terá levantado objeções ao facto de não poder ser cumprido o guião previsto.

Os produtores contactaram o Gabinete do Presidente da Câmara e começaram as pressões para que se revertesse a decisão dos serviços. “Tentaram tudo, até disseram que iam falar com o primeiro-ministro”, disse ao Expresso. Basílio Horta recusou falar com os representantes de Madonna e encarregou os seus assessores de transmitirem a mensagem de que a posição da Câmara estava tomada.

No local, porém, a tensão aumentava e os dois funcionários municipais responsáveis pelo espaço começaram a recear que fossem forçados a deixar entrar o cavalo. “Instalou-se a confusão”, explica fonte da autarquia, que confirmou ao Expresso terem sido enviados três polícias municipais à paisana para evitar problemas. A cantora norte-americana ficou furiosa e pediu ao seu agente, em Londres, ajuda no processo.

Na edição deste domingo do Correio da Manhã, são transcritas algumas das mensagens trocadas entre Madonna e o seu agente. “Desculpa, minha rainha. Estou a fazer o meu melhor. Telefonei a muita gente e enviei varias mensagens. Infelizmente, o homem que pode decidir não está disponível, mas nalguma altura vai estar”.

Basílio Horta não esteve. “Em condição nenhuma deixaria entrar um cavalo no palácio, não tem qualquer sentido!”, diz ao Expresso. “A Madonna é uma artista, mas o palácio é de todos e não é para ser estragado”, prossegue, garantindo que “há coisas que o dinheiro não paga”.

Pressões deste género “não são habituais”, admite o autarca. “Mas também as pessoas sabem que, comigo, não resultam. Se fosse um português nem se atrevia a tentar”, diz o presidente da Câmara de Sintra. “Levo muito a sério o princípio da igualdade” , conclui.

Autoria: Expresso

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