Campo Pequeno assinala 125 anos marcados por momentos de glória e tragédia

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A praça de touros do Campo Pequeno, em Lisboa, assinala 125 anos da sua inauguração na sexta-feira, sendo a sua história tauromáquica marcada por momentos de glória, mas também por alguns sustos e tragédias.

“O Campo Pequeno, à imagem do que se passa com os toureiros espanhóis na praça de Madrid, é o palco que tudo dá e tudo tira às grandes figuras do toureio. Um triunfo ali pode lançar um toureiro para a glória, assim como um fracasso pode condicionar a sua carreira no futuro”, explica à agência Lusa o crítico tauromáquico Miguel Alvarenga.

Além de considerar o Campo Pequeno um “ex-líbris” da cidade de Lisboa pela sua “monumentalidade”, o especialista sublinha que aquela é a “primeira praça do país”, sendo referenciada internacionalmente como a “catedral do toureio a cavalo”.

Encerrado durante o ano 2000 para obras de reabilitação e reinaugurado em maio de 2006, após um investimento de 80 milhões de euros, o edifício classificado tem acolhido espetáculos de diversas vertentes, com principal destaque para a tauromaquia.

“O Campo Pequeno viveu épocas de grande glória nos seus primórdios, com atuações memoráveis de grandes cavaleiros como João Núncio e Simão da Veiga e de matadores célebres como Manolete, Carlos Arruza, António Bienvenida e tantos mais”, recorda Miguel Alvarenga.

No século passado e sobretudo nos anos 60 e 70, o Campo Pequeno viveu aquela que muitos consideram a sua época de maior glória, quando o antigo matador de touros Manuel dos Santos foi empresário da praça.

“Recordo noites de grande fulgor e emoção protagonizadas pelos cavaleiros Manuel Conde, David Ribeiro Telles, Pedro Louceiro, José Mestre Batista, Luís Miguel da Veiga, José Lupi, Álvaro Domecq, irmãos Peralta, e mais tarde, já nos anos 80 e 90, José João Zoio, Manuel Jorge de Oliveira, Emídio Pinto, João Moura, João Ribeiro Telles, Paulo Caetano, Joaquim Bastinhas, Rui Salvador, António Ribeiro Telles, João Salgueiro, Rui Fernandes e tantos mais”, disse.

Naquela época foram também muitos os matadores espanhóis que semanalmente toureavam no Campo Pequeno, muitos deles tornando-se verdadeiros ídolos, como António Ordoñez, “Antoñete”, Paco Camino, o célebre Manuel Benítez “El Cordobés”, “Paquirri”, Damaso González, “Niño de la Capea, Ruiz Miguel e “Currillo”.

Nessa altura, recorda ainda Miguel Alvarenga, os matadores espanhóis “ombreavam com os grandes diestros” portugueses desse tempo, como José Júlio, Armando Soares, Mário Coelho, José Simões, Amadeu dos Anjos, Júlio Gomes, José Falcão, Óscar Rosmano e, anos mais tarde, Vítor Mendes, Rui Bento, José Luís Gonçalves e Pedrito de Portugal, entre outros.

Miguel Alvarenga sublinha que, além das colhidas que normalmente surgem nas corridas, “não foram muitas as tragédias” que ocorrem no Campo Pequeno nos últimos 125 anos.

“No Campo Pequeno perderam a vida, vítimas de colhidas, três cavaleiros e dois forcados. O cavaleiro Fernando de Oliveira, que participara na corrida de inauguração da praça a 18 de agosto de 1892, foi a primeira vítima mortal na tarde de 12 de maio de 1904, colhido por um touro do Marquês de Castelo Melhor de nome ‘Azeitona’, morrendo quando era transportado para o Hospital de São José”, disse.

Quase 50 anos depois, a 10 de setembro de 1953, morreu o forcado João Raiva, com o cérebro perfurado por uma bandarilha, na tarde em que ia assumir o comando do Grupo de Forcados Profissionais de Lisboa.

A 16 de outubro de 1966, no dia em que fazia 21 anos, morreu o cavaleiro Joaquim José Correia “Quim-Zé”, que era a “grande promessa” do toureio a cavalo e recebera a alternativa um ano antes nessa mesma praça.

A 11 de agosto de 1983, sofreu grave colhida nesta praça o cavaleiro José Francisco Varela Crujo, que permaneceu quatro anos em estado de coma, vindo a falecer a 25 de dezembro de 1987.

“O último acidente mortal ocorrido na praça do Campo Pequeno remonta ao ano de 1989, numa corrida comemorativa da Expo 98. O forcado Pedro Belacorça, do grupo de Portalegre, feriu-se no fígado com uma bandarilha e veio a morrer um mês depois vítima de uma infeção”, recorda.

Os 125 anos do Campo Pequeno vão ser assinalados na sexta-feira, a partir das 22:00, com uma corrida de touros à portuguesa, estando em praça os cavaleiros João Moura, António Ribeiro Telles e Luís Rouxinol e os forcados de Montemor-o-Novo e Lisboa.

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