Catarina Martins quer escolas a contratar cozinheiras próprias

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A líder do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, defendeu esta segunda-feira que o Orçamento do Estado para 2018 deve contemplar condições que permitam às escolas contratarem cozinheiras para não terem de externalizar os serviços, criticando a concessão “exagerada” a privados.

“Achamos que neste Orçamento do Estado deve ser permitido às escolas contratarem cozinheiras para não terem de externalizar os serviços. Há um problema com a entrega a privados das cantinas das escolas. Fazem tudo o que podem para baixar os custos e criar lucros”, disse a coordenadora do BE.

De acordo com Catarina Martins, em 1.200 cantinas escolares no país, 800 estão entregues a duas empresas privadas, ou seja, 70% das cantinas.

A líder bloquista apontou que a Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) “já instaurou processos a empresas que fornecem serviços de cantina” e referiu que “os pais e professores têm denunciado situações de pouca quantidade e caos até em que as crianças passam fome”.

Catarina Martins criticou a concessão “exagerada” a privados enquanto visitava a escola Dr. Costa Matos, em Vila Nova de Gaia, distrito do Porto, para dar o exemplo de uma “cantina que funciona bem”.

“Nesta escola, a cantina funciona bem com qualidade na comida, opções, crianças satisfeitas e os custos são os custos normais que o Ministério da Educação prevê. É uma cantina gerida pela escola”, disse.

Este equipamento escolar acolhe 1.000 alunos que frequentam do 5.º ao 9.º anos, sendo que de acordo com o diretor de agrupamento, Filinto Lima, são servidas em média 600 refeições por dia na “única escola com cantina própria no concelho”.

“Este é um bom exemplo porque [a cantina] é explorada pela própria escola. As cozinheiras que estamos a ver são funcionárias da escola. É uma escola onde se come bem, uma escola onde se faz comida saudável e muito caseira e onde os alunos estão felizes”, disse Filinto Lima.

O diretor de agrupamento mostrou convicção de que “a qualidade da comida nesta escola é superior a grande parte das cantinas que estão concessionadas”, mas contou que em abril foi assediado “no bom sentido pelo Ministério da Educação para repensar esta forma de trabalho”.

“Mas não me passa pela cabeça mudar. Enquanto puder manter a cozinha como cozinha própria, vou mantê-la”, concluiu.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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