CGD recua: afinal, vai pagar todos os juros de depósitos aos clientes

Depois de encurralada pelo Banco de Portugal, a Caixa Geral de Depósitos vai recuar e já não vai impor um limite abaixo do qual não paga juros nos depósitos a prazo e de poupança. Todos os clientes vão ter direito à remuneração indexada às aplicações, independentemente do montante.

“A Caixa Geral de Depósitos tomou boa nota da comunicação efetuada pelo Banco de Portugal. Em face da expetativa criada, a Caixa decidiu acolher a recomendação sobre a medida que entraria em vigor no dia 1 de agosto”, indica a declaração oficial do banco público aos jornais.

A decisão da instituição financeira tornou-se inevitável depois de o Banco de Portugal ter publicamente assumido que tinha já transmitido “à Caixa Geral de Depósitos a sua posição relativamente à política de pagamento de juros de depósitos a prazo recentemente anunciada por esta instituição de crédito”. E, embora não o assumindo claramente, o Expresso sabe que a posição era de reprovação.

Há duas semanas, os clientes começaram a receber missivas da instituição financeira a indicar que, “a partir de 1 de agosto de 2019, [seria] alterada a regra de pagamento de juros nos depósitos a prazo e depósitos poupança”, o que faria com que não fossem “pagos juros sempre que o valor ilíquido dos juros calculados seja inferior a 1 euro”. Na prática, quem tem aplicações inferiores a 6.667 euros não teria direito a juros.

Esta foi uma política inédita na grande banca. As grandes instituições financeiras não aplicam qualquer limite ou tecto nos juros, como garantiram na ronda feita pelo Expresso.

“A medida era sobretudo ditada por razões de natureza de eficiência operacional e não tanto por razões de rentabilidade. Procurava-se minimizar o elevado número de lançamentos, muitas vezes dando origem a comunicação escrita, de montantes de baixa materialidade para os clientes. Exemplo: Depósito de €5.000, a 6 meses, o juro líquido será de €0,27”, justifica agora o banco.

A decisão motivou críticas da associação de defesa do consumidor Deco, que considerou que não era correta e que desincentivava a poupança. “Sublinhe-se que a Caixa Geral de Depósitos é o principal banco promotor do aforro de cllientes particulares. Ao longo dos anos, a CGD tem vindo a promover a poupança recorrente dos portugueses”, defende a instituição financeira.

Também no Parlamento o Bloco de Esquerda lançou farpas à decisão tomada pela equipa de Paulo Macedo, querendo mesmo saber quanto é que renderia a imposição deste tecto.

Já o Governo, representante do acionista Estado, manteve-se distante da polémica. “Cumpre à administração definir e implementar as medidas concretas de execução do plano estratégico, incluindo no que respeita à atualização das taxas de juros dos depósitos a prazo. No atual contexto de taxas de juro negativas, a remuneração de depósitos e poupanças pelo setor bancário está sujeita a constrangimentos adicionais”, disse o gabinete de Mário Centeno ao Expresso.

O banco argumenta que “tem uma remuneração nos depósitos superior à média do mercado, quer no stock de poupanças quer em novas constituições, designadamente para as maturidades a 6 meses”.

Publicado originalmente em: Expresso

Outros conteúdos na web

Comente, qual a sua opinião?
A carregar...

Recomendados

Recomendados