Chuva ajudou bombeiros a salvar o país das chamas

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A chuva ajudou os bombeiros e salvou Portugal. As temperaturas baixaram e dos céus caiu a água que amansou a fúria de fogo que matou 36 pessoas em dois dias.

A Autoridade Nacional de Proteção Civil (ANPC) não destacava, pelas 7:30 horas, qualquer incêndio em evolução na página na Internet, depois de, no domingo, centenas de fogos terem deflagrado e causado pelo menos 36 mortos. Há vítimas nos distritos de Viseu, Coimbra, Guarda e Castelo Branco.

O portal da ANPC não listava, pela mesma hora, qualquer ocorrência importante e na lista total de incêndios, que inclui os fogos de menor dimensão, apenas são destacados incêndios dominados (seis) ou em conclusão (49).

Só no domingo, o pior dia do ano em número de fogos, arderam 54 mil hectares de Portugal. Contas feitas, este ano já arderam 316 mil hectares, cerca de 10% dos 3,1 milhões de mancha verde estimada no país.

Chuva ajudou bombeiros a salvar o país das chamas

Foto: Gonçalo Delgado/Global Imagens

As centenas de incêndios que deflagraram no domingo, o pior dia de fogos do ano segundo as autoridades, provocaram pelo menos 36 mortos, sete desaparecidos e 62 feridos, dos quais 15 graves, além de terem obrigado a evacuar localidades, a realojar as populações e a cortar o trânsito em dezenas de estradas.

O primeiro-ministro desloca-se esta manhã à Unidade de Queimados de Celas dos Hospitais Universitários de Coimbra, onde se encontram alguns dos feridos dos incêndios de domingo.

O inferno

O inferno de domingo ficou bem demonstrado neste vídeo, captado na A17, na zona de Vagos. Um condutor em pânico registou o que se viveu nas zonas atingidas pelos imparáveis bulldozers de fogo que lançaram o caos também nas estradas. Uma mulher grávida de 19 anos e outra de 40 anos morreram numa colisão na A25, numa altura em que os automobilistas tentavam fugir de um dos muitos incêndios o na zona de Viseu.

Foi um dia, mais um, de balanço trágico. Costa sentiu-se obrigado a falar ao país e declarou o que todos já sabíamos: “É um momento de luto”. À hora do telejornal, da residência oficial em São Bento, em Lisboa, sublinhou que Portugal enfrentou “a maior vaga de incêndios desde 2006”. E prometeu o que já esperávamos: mais políticas e uma reforma da Proteção Civil. Mas não despediu a ministra da Administração Interna. A Oposição, incluindo os partidos da Esquerda, pede explicações.

Enquanto Marcelo voltava a falar na “urgência de agir”, as chamas chegaram às ilhas britânicas e o fumo via-se do espaço. E as imagens da destruição não pararam de chegar.

Em Castelo de Paiva, fala-se que 80% do concelho ardeu. Braga, teve “um dia mau demais para ser verdade” e as fotos mostram-no bem. Na Pampilhosa da Serra, há centenas de casas destruídas. Por todo lado, fábricas paradas e devastadas. O Pinhal de Leiria, severamente afetado.

Em Gouveia, o esforço de uma família para proteger 80 cães chamou a atenção das redes sociais, que também se entusiasmaram muito com a reação dos galegos após a morte de quatro pessoas nos incêndios que também assolaram a região espanhola. Milhares saíram à rua para exigir melhores políticas florestais.

A declaração do estado de calamidade vai manter-se até às 20 horas desta quarta-feira e o país está em alerta vermelho, decretado pela Proteção Civil

Portugal acionou o Mecanismo Europeu de Proteção Civil e o protocolo com Marrocos, relativos à utilização de meios aéreos.

Esta é a segunda situação mais grave de incêndios com mortos este ano, depois de Pedrógão Grande, no verão, em que um fogo alastrou a outros municípios e provocou 64 mortos e mais de 250 feridos.

Pedrógão ainda por explicar

Pedrógão Grande veio, naturalmente, à memória de todos os portugueses e sobre essa outra tragédia ainda muito está por explicar. Ontem, um novo relatório, coordenado por Domingos Xavier Viegas, diretor do Centro de Estudos de Incêndios Florestais da Universidade de Coimbra, aponta para falhas da EDP, que é acusada de não ter feito “com cuidado a limpeza da vegetação” à volta da linha de média tensão na zona onde terá começado o fogo. A EDP rejeitou responsabilidades.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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