Comunidade amish com rara mutação genética que prolonga a vida

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Cientistas norte-americanos descobriram numa comunidade amish nos EUA uma rara mutação genética que pode trazer nova esperança a tratamentos para combater o envelhecimento e as doenças relacionadas com o avançar da idade, inclusivamente a demência ou doenças cardíacas.

Segundo o The Guardian, que cita um estudo publicado na revista Science Advances, os investigadores detetaram a mutação genética nos amish – comunidade religiosa ultraconservadora – na cidade de Berne, no estado norte-americano do Indiana: os portadores da mutação genética têm melhor metabolismo, menos diabetes, e por norma vivem uma década a mais do que os restantes membros da comunidade.

Ao todo, 177 pessoas foram analisadas e 43 pessoas foram identificadas como tendo herdado o gene, algumas na versão normal, outras numa versão modificada chamada Serpine1.

Aqueles que tinham a versão modificada vivem tipicamente até aos 85 anos, mais 10 do que aqueles que não tinham a mutação genética.

“Trata-se de uma rara mutação genética que parece proteger do envelhecimento biológico os humanos”, explica Douglas Vaughan, professor de medicina que liderou a pesquisa na Northwestern University, em Chicago.

O Serpine1 está relacionado com a proteína PAI-1. Estudos em animais comprovaram que níveis reduzidos desta proteína podem proteger contra o envelhecimento e doenças relacionadas com a idade, prolongando até a longevidade, mas até agora o mesmo efeito não tinha sido detetado em humanos.

Só neste grupo de pessoas foi detetada a mutação do gene que naturalmente suprime os níveis de proteína PAI-1 no sangue.

Os cientistas foram à procura dos marcadores de idade nos indivíduos, os chamados telómeros – estruturas nas extremidades dos cromossomas que encurtam com a idade – e comprovaram que os Amish que tinham o gene modificado tinham telómeros mais longos do que os restantes, o que sugere que tinham envelhecido mais lentamente.

Nesta altura, está já a ser testado um medicamento que reduzir os níveis de proteína PAI-1 no sangue, tendo em atenção que se esta proteína não estiver presente de todo o indivíduo poderá sofrer de hemorragias.

Até certo ponto, a metformina, usada no tratamento da diabetes, já interfere com a PAI-1, mas os investigadores na Universidade de Tohoku, no Japão, começaram já ensaios clínicos que têm como alvo preciso esta proteína.

Se os ensaios clínicos forem bem-sucedidos, refere Douglas Vaughan, o medicamento poderá ser mesmo usado para atrasar o aparecimento de doenças relacionadas com o envelhecimento e tratar doentes com problemas que os fazem envelhecer prematuramente.

“Estamos muito otimistas”, frisa o cientista.

Este artigo foi publicado originalmente no Diário de Notícias

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