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Covid-19: Aumento de procura esgota “refúgios” entre a Serra d’ Arga e a Peneda-Gerês

O aumento da procura por “refúgios seguros” com “total isolamento e privacidade” disparou no início do mês e lotou até outubro as casas de turismo rural, desde a serra d’ Arga ao Parque Nacional da Peneda-Gerês.

Os primeiros sinais de procura de turistas nacionais, sobretudo de Lisboa e Porto, pelas casas de campo espalhadas pelo distrito de Viana do Castelo começaram ainda em abril, depois de meses de paragem, ‘lay-off’ e incertezas.

A partir de maio, foi o ‘boom’ que “surpreendeu” quem já faz vida do turismo há anos. A marcação de férias, ou simples escapadelas para aliviar do confinamento imposto pela pandemia, atirou as taxas de ocupação “do oito para o 80” e deixou os empresários mais confiantes.

No Alto Minho há propostas de isolamento seguro para diferentes preços desde Caminha, passando por Viana do Castelo, até Arcos de Valdevez, um dos concelhos do Alto Minho com mais espaços de turismo em espaço rural. No total, segundo a autarquia, são 52 unidades, atualmente com taxas de ocupação “acima dos 95%”.

Em Viana do Castelo são 45 e em Caminha cerca de uma dezena, com uma ocupação em julho e agosto a rondar os 50%.

As opções passam por casas de campo em Âncora e Riba de Âncora, em plena serra d’Arga, que vai ser Área de Paisagem Protegida Regional, à casa da pedra nas Terras de Geraz, que dão o tom verde ao traje de Viana, até uma aldeia turística criada no lugar de Oussias desabitado desde os anos 50, próximo do Tibete português, a aldeia monumento nacional de Sistelo.

“No fim de semana a seguir à Páscoa já tínhamos gente a querer vir a todo o risco para aqui (…). A partir do dia 02 de maio, esqueça. Até as agências de viagens que trabalham connosco pressionavam para abrirmos. Naquela semana a taxa de ocupação passou de 0 para 80%. Estamos muito contentes”, confessa Rui Marinho, proprietário de 11 casas na aldeia de Carralcova. Fica a 12 quilómetros do centro de Arcos de Valdevez, às portas do Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), Reserva Mundial da Biosfera pela UNESCO.

Para os meses de julho, agosto e setembro, o empresário já tem as taxas de ocupação próximo dos 100%, tal como sempre aconteceu nos meses de verão de anos anteriores.

“Estamos surpreendidos. Assim como ficámos surpreendidos com o travão a fundo [paragem do setor devido à pandemia de covid-19], também ficámos com esta procura e já estamos a trabalhar a 120%”, confessou.

A proximidade a Sistelo começou a ter impacto no negócio de Rui Marinho vai para dois anos, com a crescente procura dos socalcos verdes da aldeia, encaixada no fundo de um vale, junto ao rio Vez.

Os cerca de 10 quilómetros de passadiços e a classificação nacional tiraram a aldeia, com 270 habitantes e iminentemente rural, do anonimato e espalharam economia ao seu redor.

“As pessoas chegam até nós pelo PNPG e, quando nos contactam, a palavra chave é privacidade. As pessoas não querem áreas comuns. Querem isolamento em família”, explicou Rui Marinho.

Antes da pandemia, os portugueses representavam 97% dos hóspedes da ArcosHouse. Agora, são também os turistas nacionais a procurar nas casas de estilo rústico um desconfinamento seguro, na natureza, em caminhadas nas ecovias ou em percursos por trilhos nas montanhas.

Este ano, os preços na aldeia rural de Oussias permanecem inalterados. Variam entre os 75 euros e os 250 euros por noite, dependendo do número de quartos de cada casa.

“O T3 tem uma procura brutal. Tem piscina privativa e o preço não é problema”, rematou.

Em Geraz do Lima, a 20 minutos do centro de Viana do Castelo, ergue-se imponente a Portugal Active Mountain Lodge. A casa rural de luxo, tem uma moderna varanda panorâmica construída em cima de uma rocha. Dali, a vista perde-se pelo vale do Lima e vislumbra Santa Luzia. Alugar toda propriedade, que acolhe até oito hóspedes, com piscina, jardins, horta biológica, e com possibilidade de ter ‘chef’, ‘personal trainer’ ou professor de ioga, pode custar, “no início de temporada”, entre “os 450 e os 800 euros por dia”.

“A taxa de ocupação a partir de meados de junho e até final de agosto já é superior a 85%. Estas últimas semanas tivemos um volume de contactos superior ao do ano passado. Não temos tudo reservado, temos datas por fechar, mas estamos a ter procura e reservas sólidas até outubro”, afirmou Ricardo Viana.

Na Alto Minho, o jovem de 27 anos, gere, atualmente, 11 espaços de alojamento de luxo, entre eles, o Ocean Lodge, próximo da praia, no concelho vizinho de Caminha.

“As pessoas procuram nas nossas casas um refúgio para estar em segurança com as pessoas mais próximas e no meio da natureza. Estiveram fechadas em apartamentos em Lisboa, no Porto, sem espaço, sem poder sair, uma prisão muito grande, e agora o que pretendem é estar ao ar livre, passear, mas sempre em segurança”, explicou o empresário.

Esta semana, a Portugal Active abre as portas da Armadas Lodge, “uma villa construída por um dos capitães que acompanhou o navegador Vasco da Gama ao Chifre da África”. A Quinta está situada em Riba de Âncora, na Serra d’Arga, Sítio de Importância Comunitária.

Atividades desportivas, de lazer ou aventura são serviços que também estão ao dispor dos hóspedes. Sessões de ‘Stand Up Paddle’ no rio Lima, passeios a cavalo ou de bicicleta por praias ou pela montanha, caminhadas até lagoas secretas da região, são experiências que podem complementar o alojamento.

Se antes da pandemia cerca de 90% dos clientes vinham de fora do país, agora são os turistas portugueses, sobretudo de Lisboa e Porto, a procurarem as propostas da Portugal Active.

Os preços, a subir nos últimos anos, foram agora “ajustados à realidade nacional”.

“A empresa estava a expandir, a chegar a mercados cada vez mais interessantes e que procuravam serviços de luxo. Veio a pandemia e tivemos de cortar esse tipo de oferta e adaptar ao mercado nacional, descendo os preços, cerca de 15%”, explicou Ricardo Viana.

Em 2019, o turismo nacional bateu todos os recordes, mas trouxe a pandemia que deixou em suspendeu o setor ainda incrédulo com a procura das últimas semanas. Reservas só se aceitam até setembro não vá uma segunda vaga deitar por terra as perspetivas que agora começam, passo a passo, a transmitir confiança a turistas e empresários.

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