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Covid-19: Autarca de Reguengos de Monsaraz diz que “não faz sentido” encerrar fronteiras

Reguengos de Monsaraz, Évora, 10 jul 2020 (Lusa) — O autarca de Reguengos de Monsaraz, no Alentejo, José Calixto, afirmou hoje que “não faz sentido” o encerramento das fronteiras na região para travar a propagação da covid-19, conforme pedido por dois autarcas da província espanhola de Badajoz.

Os alcaides de Villanueva del Fresno e Valencia de Mombuey solicitaram à Delegação do Governo espanhol da Estremadura o encerramento das fronteiras situadas nas suas áreas municipais “até que seja estabelecido um protocolo transfronteiriço para o controlo da covid-19”, mas o homólogo de Reguengos de Monsaraz disse à agência Lusa não ter recebido qualquer contacto nesse sentido.

“Qualquer situação de cerco sanitário ou confinamento mais drástico tem a ver com dados objetivos resultantes da investigação epidemiológica ou de descontrolo das cadeias de transmissão. Se há momento em que não faz sentido falar dessa medida é agora, que deixou de haver novos casos na comunidade e todos os casos detetados nos últimos 10 dias já estavam previamente confinados”, comentou José Calixto.

O concelho de Reguengos de Monsaraz, localizado a cerca de 35 quilómetros de Villanueva del Fresno (Espanha), através da fronteira de S. Leonardo, regista o maior surto no Alentejo da doença provocada pelo novo coronavírus SARS-CoV-2, com um total, segundo dados de hoje, de 131 casos ativos, 16 mortos e 14 pessoas curadas (cinco funcionários do lar e nove pessoas da comunidade).

O presidente da Câmara de Reguengos de Monsaraz, no distrito de Évora, lembrou à Lusa que, no caso do Alentejo, foi “mantida toda a tranquilidade quando houve surtos e casos na Estremadura espanhola”, mas admitiu que poderá “faltar alguma troca de informação” entre os dois lados da fronteira.

“O mais que podemos fazer é, se os colegas espanhóis precisarem de alguma informação, certamente a Autoridade de Saúde Pública Portuguesa os informará do que necessitarem. Mais do que protocolos, o importante é as autoridades dos dois países atuarem de acordo com cada foco e, naturalmente, trocarem informações, que penso que é o que estará a faltar neste momento”, concluiu.

Ramón Díaz Farías (autarca de Villanueva del Fresno) e Manuel Naharro Gata (Valência de Mombuey) pedem ainda que seja elaborado um “protocolo sobre saúde pública transfronteiriça, bem como a adoção de quaisquer medidas necessárias para o controlo e isolamento da covid-19”.

Apesar de não citarem, a causa do pedido dos dois autarcas é o surto de covid-19 originado no outro lado da fronteira, no município vizinho de Reguengos de Monsaraz.

A Lusa tentou durante o dia de hoje contactar a presidente da Câmara de Mourão, Maria Clara Safara, concelho vizinho de Villanueva del Fresno, mas as várias tentativas revelaram-se infrutíferas.

Em Portugal, morreram 1.644 pessoas das 45.277 confirmadas como infetadas, de acordo com o boletim mais recente da Direção-Geral da Saúde.

Espanha, que chegou a ser considerada o ‘epicentro’ da pandemia, contabiliza 28.401 mortos e mais de 253 mil casos, segundo a mais recente atualização.

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