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Covid-19: Autoridade de Saúde dos Açores admite adotar “medidas mais excessivas”

Angra do Heroísmo, Açores, 07 abr 2020 (Lusa) — O responsável da Autoridade de Saúde Regional dos Açores admitiu hoje a possibilidade de reforçar as medidas de controlo da propagação da covid-19, depois de ter sido detetado um caso positivo passados os 14 dias de quarentena determinados.

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“Vamos ter de encetar medidas mais excessivas do que aquilo que temos vindo a fazer neste momento, de forma a acautelarmos todo este comportamento pouco linear do vírus”, avançou Tiago Lopes, no ponto de situação diário sobre o surto na região, feito em Angra do Heroísmo.

Os Açores registaram hoje quatro novos casos da covid-19: três mulheres na ilha de São Miguel, com ligação a uma cadeia de transmissão local, e uma mulher na ilha do Pico, com histórico de viagem recente ao exterior.

O transporte de passageiros inter-ilhas no arquipélago está suspenso, tanto por via marítima como aérea, desde o dia 19 de março, e apenas as ilhas Terceira e São Miguel mantêm ligações aéreas com o continente português.

O caso da ilha do Pico foi detetado depois dos 14 dias de quarentena obrigatória exigida a quem chega de fora do arquipélago, mas, segundo Tiago Lopes, já tinha sido recomendado um prolongamento desse período.

“Este é daqueles casos em que tínhamos alargado o período de quarentena, por precaução, pela ligação epidemiológica que este caso detém”, afirmou.

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Também já foi detetado um caso positivo de covid-19, que tinha tido anteriormente resultado negativo, por isso o responsável da Autoridade de Saúde Regional defendeu a necessidade de uma “maior atenção” aos casos em vigilância ativa.

“Estamos a identificar todos aqueles que já tinham cumprido o seu período de quarentena e novamente contactar as delegações de saúde em termos da vigilância ativa que estão a fazer, para ver se algum deles desenvolveu sinais ou sintomas de infeção”, revelou, admitindo a possibilidade de serem feitos mais testes.

Segundo Tiago Lopes, o facto ter surgido apenas um caso novo nos Açores entre sábado e segunda-feira criou uma expectativa “demasiado positiva” na população, mas o surto ainda não está controlado.

“Nós ainda estamos de quarentena e temos de ficar de quarentena durante mais algumas semanas”, alertou.

Os Açores têm nove profissionais de saúde infetados e uma das cadeias de transmissão local deu origem a infeções no Hospital do Divino Espírito Santo, em Ponta Delgada.

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O responsável da Autoridade de Saúde Regional salientou que o cenário “é mais favorável” do que o pensado inicialmente, porque já foram testados mais de 100 profissionais de saúde e a maior parte teve resultado negativo.

Ainda assim, admitiu que a administração do hospital está a avaliar a necessidade de reorganizar serviços, frisando que os profissionais que tenham tido resultado negativo e sejam considerados contactos próximos de “baixo risco” poderão voltar a exercer funções.

“Dentro dessa reorganização se houver necessidade ou de transferir alguns doentes ou de alocar mais profissionais é esse o plano de contingência que nós temos”, sublinhou.

Foram detetados nos Açores 71 casos positivos de covid-19 (35 em São Miguel, 11 na Terceira, 10 no Pico, sete em São Jorge, cinco no Faial e três na Graciosa), tendo sido registada uma recuperação na ilha Terceira.

Apenas 15 destes utentes estão internados nos três hospitais da região e cinco estão em cuidados intensivos, sendo que o estado de saúde de um deles se agravou e inspira maiores cuidados.

Estão ainda em vigilância ativa 1.167 pessoas e 50 aguardam colheita de amostras ou resultados de análises.

O novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou cerca de 1,4 milhões de pessoas em todo o mundo, das quais morreram mais de 80 mil. Dos casos de infeção, cerca de 260 mil são considerados curados.

Depois de surgir na China, em dezembro, o surto espalhou-se por todo o mundo, o que levou a Organização Mundial da Saúde (OMS) a declarar uma situação de pandemia.

Em Portugal, segundo o balanço feito hoje pela Direção-Geral da Saúde, registaram-se 345 mortes e 12.442 casos de infeções confirmadas. Dos infetados, 1.180 estão internados, 271 dos quais em unidades de cuidados intensivos, e há 184 doentes que já recuperaram.

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