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Covid-19: BE quer impedir distribuição de dividendos, Costa rejeita

Lisboa, 22 abr 2020 (Lusa) — A coordenadora bloquista, Catarina Martins, defendeu hoje que a distribuição de dividendos nas empresas em que o Estado é acionista deve ser impedida, mas o primeiro-ministro rejeitou porque se deve “perturbar o mínimo possível o funcionamento da economia”.

No debate quinzenal de hoje, Catarina Martins insistiu num tema que o partido tem levantado durante a pandemia de covid-19, a proibição de distribuição de dividendos pelas empresas, que já foi aprovada pela EDP e que esta semana será votada na Galp, que “despediu dezenas de precários e que está parada”, pretendo saber que indicações deu o Governo aos representantes do Estado nesta reunião.

“Nós impusemos a proibição de despedimentos e a proibição de distribuição de dividendos a quem concedemos apoios, seja as empresas que beneficiam de ‘lay-off’ ou linhas de créditos. Relativamente ao resto da economia, nós devemos procurar perturbar o mínimo possível o funcionamento da economia e aquilo que são as expectativas legítimas”, começou por responder António Costa.

O chefe do executivo lembrou que os aumentos da função pública não foram adiados, nem interrompidos os aumentos previstos para os pensionistas.

“Não há razão para impedir as empresas de distribuírem dividendos se não estiverem a beneficiar de nenhuma medida de auxílio de Estado”, respondeu.

Para Costa, no caso concreto da Galp, “uma empresa onde aliás o Estado é acionista”, o Estado “fica muito satisfeito de vir poder receber a sua quota parte dos dividendos a quem tem direito e que é útil para financiar a atividade do Estado”.

Na réplica, Catarina Martins questionou “como é possível dizer que a prioridade é manter o emprego” e depois “achar que é mais importante a Galp distribuir dividendos do que reintegrar os 80 trabalhadores precários que despediu da refinaria de Sines”.

“As empresas estão a despedir sim e os apoios públicos não são apenas o ‘lay-off’. Benefícios fiscais é despesa do estado, é apoio e as empresas têm benefícios fiscais e despedem trabalhadores”, contrapôs a bloquista.

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