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Covid-19: Câmaras de proteção “podem e devem” ser utilizadas em outros doentes – bastonário

Lisboa, 12 mai 2020 (Lusa) — O bastonário da Ordem dos Médicos sublinhou hoje que as câmaras de proteção dedicadas à entubação, que estão a ser entregues aos hospitais, “podem e devem” ser utilizadas para tratar outros doentes além da covid-19.

“Isto é um equipamento que surgiu por causa da covid-19, mas é evidente que este tipo de equipamento dá para qualquer doente e vai ser usado, seguramente, em doentes que nós antecipadamente sabemos que estão infetados e que é necessário aumentar o nível de proteção”, disse Miguel Guimarães.

O bastonário da Ordem dos Médicos visitou hoje o Hospital de Santa Maria, em Lisboa, para assistir a uma demonstração de como estas novas caixas de proteção, desenvolvidas em parceria com a indústria portuguesa, são utilizadas durante a entubação e/ou extubação de doentes.  

No total, são cerca de 500 os equipamentos que já começaram a ser distribuídos por hospitais, públicos e privados, em todo o país, uma doação que resulta da conta do movimento “Todos Por Quem Cuida” criada pela Ordem dos Médicos e Ordem dos Farmacêuticos, com o apoio da Associação Portuguesa da Indústria Farmacêutica (Apifarma) e da sociedade civil.

Sem saber precisar o número de câmaras já recebidas pelo Hospital de Santa Maria, o diretor clínico do Centro Hospitalar Lisboa Norte (CHLN) adiantou que algumas delas já começaram a ser utilizadas.

Luís Santos Pinheiro admitiu que a introdução do equipamento na prática médica implica um trabalho de adaptação dos médicos, mas sublinha que “o ganho de segurança que têm ultrapassa as dificuldades com que lidam neste momento”.

Segundo o diretor clínico, as câmaras de proteção, que estão disponíveis para utilização em blocos operatórios e nas Unidades de Cuidados Intensivos (UCI), vão sobretudo permitir “incrementar a segurança dos profissionais num contexto de transmissão potencial de infeção”, não só do novo coronavírus, mas também de outras doenças infecciosas.

Estes equipamentos são dedicados a procedimentos em que existe um elevado risco de produção de aerossóis, como a entubação e/ou extubação, e o objetivo é que as caixas – amovíveis e laváveis – funcionem como uma barreira física entre o doente e os médicos.

Segundo o bastonário da Ordem dos Médicos, a totalidade dos equipamentos custou cerca de 140 mil euros, angariados pela conta do “Todos Por Quem Cuida”, que já recebeu mais de 1,2 milhões de euros. 

A bastonária da Ordem dos Farmacêuticos, que esteve também presente, sublinhou que as câmaras foram produzidas em Portugal, desenhadas e testadas por especialistas, com a colaboração da indústria portuguesa.

“Temos dado uma prioridade absoluta neste fundo à aquisição de materiais de empresas nacionais, todas aquelas que estão a produzir e que tiveram de se reinventar para proteger emprego e, dessa forma, adequaram-se àquilo que era preciso para o país”, elogiou Ana Paula Martins, considerando que a industria portuguesa está a “readquirir soberania”, em particular no setor da saúde.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 286 mil mortos e infetou mais de 4,1 milhões de pessoas em 195 países e territórios.

Portugal contabiliza 1.163 mortos associados à covid-19 em 27.913 casos confirmados de infeção, segundo o último boletim diário da Direção-Geral da Saúde (DGS) sobre a pandemia.

Das pessoas infetadas, 709 estão hospitalizadas, das quais 113 em unidades de cuidados intensivos, e o número de casos recuperados é de 3.013.

Portugal entrou no dia 03 de maio em situação de calamidade devido à pandemia, depois de três períodos consecutivos em estado de emergência desde 19 de março.

 

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