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Covid-19: Empresas de autocarros turísticos dizem que maioria dos serviços foram anulados

Pombal, Leiria, 10 mar 2020 (Lusa) – Empresas de autocarros de turismo reuniram hoje em Pombal, onde pediram ao Governo medidas de apoio ao setor, numa altura em que a maioria dos serviços estão a ser cancelados face ao surto de Covid-19.

“Não acreditamos que haja 10% [da frota de autocarros] nas ruas. Este é o cenário para março. Para abril, o cenário é de anulações e cancelamentos e a nossa perspetiva para os próximos dois ou três meses é de que o impacto seja fortíssimo”, afirmou o porta-voz das 55 empresas que estiveram hoje reunidas em Pombal, João Coelho.

Segundo o responsável, o dia-a-dia destas empresas tem sido marcado por cancelamentos desde 02 de março, apontando para um exemplo de um empresário que apenas na manhã de hoje registou “28 cancelamentos”.

Para João Coelho, o atual cenário, caso não sejam tomadas as medidas adequadas, poderá ditar a falência de empresas do setor.

“Março é um mês normalmente forte para o serviço escolar e início do serviço turístico de longa distância à procura do nosso território, mas não há trabalho. Há empresas com os autocarros todos parados”, vincou.

Segundo o porta-voz das empresas, o setor, que tem cerca de dois mil motoristas, vinha da época baixa e começava agora “o maior bolo da receita”, sendo que muitas empresas terão dificuldade em fazer face às prestações das viaturas adquiridas e seguros contratualizados.

Durante a conferência de imprensa, João Coelho apelou a que todas as empresas se unam e reúnam a identificação de todos os trabalhadores e viaturas afetados, para que essa informação seja entregue na segunda-feira, junto do Ministério do Trabalho e do Ministério da Economia.

“Queremos mostrar individualmente o verdadeiro impacto na vida das empresas”, frisou.

Segundo João Coelho, é necessária “uma revisão das medidas” anunciadas pelo Governo para o setor do turismo, face à especificidade destas empresas.

“Medidas como o ‘lay off’ simplificado não são a solução”, sublinhou.

“Se tivermos um motorista a fazer um trabalho põe em causa todo o cenário de ‘lay off’ dentro da empresa, que só é aplicável a toda a empresa e não apenas a uma parte dos trabalhadores. Nos termos normais, não é possível recorremos [a esta medida]”, referiu.

Nesse sentido, João Coelho propõe que o Governo faça o mesmo “que os franceses têm ao seu alcance, que é a suspensão dos contratos de trabalho suportada pela Segurança Social, para permitir um regresso ao trabalho”.

“O setor tem cerca de dois mil motoristas. Todos os postos de trabalho, sem exceção, estão em perigo neste momento”, salientou o porta-voz das empresas.

A epidemia de Covid-19 foi detetada em dezembro, na China, e já provocou mais de 4.000 mortos.

Cerca de 114 mil pessoas foram infetadas em mais de uma centena de países, e mais de 63 mil recuperaram.

Nos últimos dias, a Itália tornou-se o caso mais grave de epidemia fora da China, com 463 mortos e mais de 9.100 contaminados pelo novo coronavírus, que pode causar infeções respiratórias como pneumonia.

O Governo português decidiu suspender todos os voos com destino ou origem nas zonas mais afetadas em Itália, recomendando também a suspensão de eventos em espaços abertos com mais de 5.000 pessoas.

Portugal regista 41 casos confirmados de infeção, segundo a Direção-Geral da Saúde.

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