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Covid-19: Estudantes africanos e Cáritas de Bragança lançam campanha de solidariedade

Bragança, 21 mai 2020 (Lusa) — A Associação de Estudantes Africanos do Instituto Politécnico de Bragança e a Cáritas Diocesana local juntaram-se numa campanha nacional para ajudar jovens estrangeiros que enfrentam dificuldades devido às restrições da pandemia Covid 19, anunciaram hoje os responsáveis.

A iniciativa partiu da associação de estudantes de Bragança face ao número de alunos, sobretudo africanos que estão a passar necessidades e foi transformada numa campanha nacional que será coordenada pela Cáritas de Bragança.

A parceria está prestes a ser oficializada num protocolo, como revelaram hoje o presidente do Instituto Politécnico de Bragança, Orlando Rodrigues, e o bispo da diocese de Bragança-Miranda, José Cordeiro.

O presidente do IPB explicou à Lusa que a instituição decidiu apoiar a iniciativa dos estudantes africanos, que representam a maioria dos cerca de três mil alunos estrangeiros, entre um total de nove mil estudantes, e “criar o clima institucional” para que as parcerias necessárias se pudessem estabelecer.

A campanha visa angariar fundos para os estudantes que se viram em dificuldades devido à pandemia, nomeadamente porque, com as restrições, “deixou de ser possível fazer transferência de capitais de alguns países, como Angola, e os pais e familiares não lhes conseguem transferir dinheiro”, como explicou Orlando Rodrigues.

Segundo o presidente do IPB, “a maioria (destes alunos) não tem bolsa, está a estudar e Bragança com fundos próprios. Outros, os familiares perderam o emprego e ficaram sem rendimentos, e outros tinham uma pequena atividade complementar, um trabalho que lhes proporcionavam alguns rendimentos suplementares e que perderam”.

A ideia da campanha de solidariedade partiu dos estudantes africanos, mas destina-se a apoiar todos os alunos estrangeiros com dificuldades devido a esta realidade e terá uma abrangência nacional.

Este apoio é para alunos estrangeiros porque, como disse o presidente do IPB, “os portugueses estão mais protegidos pelos instrumentos de proteção social que existem no país e de que não beneficiam os internacionais”.

O responsável do politécnico indicou que no caso do IPB existem “algumas situações” de alunos com dificuldades, mas ressalvou que “não é uma situação generalizada”.

“Serão algumas dezenas de alunos que estão em situações mais difíceis e que temos que acudir”, acrescentou.

O papel da Cáritas, uma instituição social da Igreja Católica, é gerir as ações de recolha de fundo e garantir que serão destinados aos fins associados.

A instituição, segundo o bispo José Cordeiro, conhece estes casos, pois “são inúmeros os pedidos de jovens estudantes, seja por dificuldades nos seus próprios países, seja pela dificuldade nestes meses em se puderem organizar”.

“São mais de cem os pedidos a que temos conseguido responder”, concretizou, destacando o aumento de benfeitores à Cáritas e como “nos momentos de crise os transmontanos sabem dar o seu melhor”.

O presidente do IPB e o bispo da diocese de Bragança-Miranda falavam à margem de uma cerimónia em que as duas instituições renovaram e celebraram novos protocolos de cooperação, nomeadamente em áreas como a engenharia civil, cultura e da música sacra.

A nível global, segundo um balanço da agência de notícias AFP, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 328 mil mortos e infetou mais de cinco milhões de pessoas em 196 países e territórios.

Em Portugal, morreram 1.277 pessoas das 29.912 confirmadas como infetadas, e há 6.452 casos recuperados, de acordo com a Direção-Geral da Saúde.

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