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Covid-19: Financiamentos ao cinema e audiovisual “têm de ser reavaliados” – ministério

Lisboa, 13 mai 2020 (Lusa) — O secretário de Estado do Cinema, Audiovisual e Media, Nuno Artur Silva, admitiu hoje que os financiamentos ao setor “têm de ser reavaliados” tendo em conta o regresso a “uma nova normalidade”, por causa da covid-19.

“Este regresso não é à normalidade, é a uma nova normalidade e exige medidas financeiras e uma reavaliação completa do tipo de cinema, séries e documentários que estamos a fazer. Têm de ser reavaliados em função do que pode ser filmado”, disse, numa audição da comissão parlamentar de Cultura e Comunicação.

Sobre o retomar de atividade, Nuno Artur Silva admitiu que o Instituto do Cinema e do Audiovisual (ICA) possa recorrer ao saldo de gerência “no contexto das medidas de relançamento” do setor.

“Estamos a refletir com as várias associações”, disse.

No final de abril, numa reunião com a tutela, a Plataforma de Cinema, que representa várias estruturas do setor, tinha proposto a possibilidade de utilização do saldo de gerência do ICA para apoiar os que viram o trabalho suspenso desde março, por causa da covid-19.

De acordo com o mais recente relatório de gestão disponível na página do ICA, referente a 2018, o saldo de gerência nesse ano era de 17,5 milhões de euros.

Na audição parlamentar de hoje, Nuno Artur Silva disse ainda que já está aprovado um manual com medidas de segurança e higiene “que deve ser tido em conta” pelas produtoras que querem voltar a filmar.

Aos deputados, o secretário de Estado elencou ainda “outros instrumentos” nos quais o Governo quer trabalhar “para o regresso à atividade”, nomeadamente a revisão do plano estratégico da RTP, a criação de um novo plano estratégico para o cinema e audiovisual e a “transposição da diretiva audiovisual, que vai criar obrigações para os investidores estrangeiros”.

Para Nuno Artur Silva, o setor que tutela é frágil, mas essa condição “não tem a ver só com a falta de investimento, mas com o modelo de existência do cinema e audiovisual”, porque as duas áreas “não construíram uma indústria”.

“Na televisão há um predomínio do entretenimento mais ligeiro e no cinema há um domínio do mais artesanal. Não construíram uma indústria e revela a fragilidade não só do lado dos investimentos, mas do setor que não tem capacidade de reação, até ao nível das associações”, disse.

 

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