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Covid-19: Menos turismo e falta de vigilantes condicionam regresso ao Museu de Arte Antiga

Lisboa, 24 abr 2020 (Lusa) – A quebra do turismo e a escassez de vigilantes vão ser alguns obstáculos para um futuro regresso à normalidade, no Museu Nacional de Arte Antiga (MNAA), em Lisboa, devido ao contexto da pandemia convid-19, segundo o seu diretor.

Contactado pela agência Lusa, Joaquim Caetano falou sobre o quotidiano do museu vazio de visitantes desde 15 de março, devido às restrições sanitárias, mas onde a direção continua a criar diariamente vídeos sobre as obras da coleção e a colocá-los ‘online’, para manter o contacto com o público.

Sobre uma futura reabertura e o regresso à normalidade, só é ainda possível especular quando e como, pois todos os museus e monumentos tutelados pelo Ministério da Cultura aguardam diretrizes oficiais.

“Do ponto de vista das organizações internacionais da área dos museus, tem havido discussão sobre alguns dos caminhos para o regresso à normalidade”, comentou o diretor do MNAA, que avançou algumas das dificuldades com as quais o museu se irá debater.

“Depois de uma expansão turística crescente nos últimos anos, a pandemia vai ter um impacto negativo que se irá refletir neste público e nas receitas do museu”, prevê, acrescentando que os obstáculos não se ficarão por aqui.

Também a área do serviço educativo pode sofrer uma grande quebra porque vive de visitas de grupos escolares, a par das visitas “muito importantes” de grupos de seniores organizadas por associações culturais, amigos dos museus ou universidades da terceira idade, “considerada atualmente de risco”.

“No caso de ser possível voltar a apresentar grandes exposições elas trazem habitualmente grandes multidões, e os vigilantes que temos são poucos”, apontou ainda Joaquim Caetano.

Dos vigilantes – cerca de 20 – que asseguram 80 salas de exposição, “um número já de si deficitário, pode ainda ser reduzido com os funcionários que precisarem de ficar em casa a tomar conta de filhos menores, ou por condições de saúde de risco”, apontou.

Sobre a atual atividade do museu, com visitas paradas, apenas a direção está diariamente em permanência nas instalações, e os conservadores, técnicos superiores e administrativos quase todos estão em teletrabalho, sendo assegurada uma escala de 24 horas de segurança e vigilância das coleções.

“A conservação, restauro e administração têm uma rotação semanal para manter os níveis essenciais de necessidades do museu”, acrescentou sobre o acervo daquela instituição, que guarda uma das maiores coleções de tesouros nacionais do país.

Por exemplo, o projeto de restauro dos Painéis de São Vicente – um dos mais importantes tesouros nacionais da pintura portuguesa – previsto para ter início em maio, só pode continuar, atualmente, ao nível da discussão prévia sobre a metodologia e as necessidades de compra de equipamento.

Questionado sobre os projetos expositivos que estavam previstos, o diretor do MNAA disse que dependem também de parceiros e mecenas com os quais trabalham, “e se decidem continuar ou não, face a esta nova realidade”.

“Por enquanto estamos em conversações, e tem havido uma abertura para manter os apoios aos projetos da programação no essencial”, revelou à Lusa, sobre exposições como a de Julião Sarmento, que estava prevista para os meses de abril e maio, com curadoria de João Pinharanda, e outra, temporária, para os meses de junho a setembro, “Guerreiros e Mártires – A Cristandade e o Islão na Formação de Portugal”.

A direção do MNAA estava já a trabalhar para projetos em 2022 e anos seguintes, “mas surgiram agora todas estas incertezas”.

As incertezas para os museus surgem numa altura em que estava em curso um processo de aplicação do decreto-lei com o novo regime jurídico de autonomia de gestão dos museus, monumentos e palácios tutelados pelo Ministério da Cultura, aprovado no ano passado.

A nova lei determina a realização de concursos internacionais para a escolha de novas direções, e a criação de planos plurianuais, processos em que “a pandemia também terá de certeza efeitos”, na opinião do diretor.

A Lusa contactou a Direção-Geral do Património Cultural sobre esta matéria, já que o arranque dos concursos tinha sido anunciado para março deste ano, mas ainda não obteve resposta.

A nível global, a pandemia de covid-19 já provocou mais de 200 mil mortos e infetou mais de 2,7 milhões de pessoas em 193 países e territórios.

Mais de 720 mil doentes foram considerados curados.

Em Portugal, morreram 854 pessoas das 22.797 confirmadas como infetadas, e há 1.228 casos recuperados, de acordo com os dados hoje divulgados pela Direção-Geral da Saúde.

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