‘Cowboys’ de Sara Maia e Direitos Humanos de Inês Torcato no segundo dia do Portugal Fashion

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Porto, 16 mar (Lusa) — O mundo dos ‘cowboys’ e do motocrosse, de Sara Maia, e o “Artigo 1.º” sobre o direito à igualdade, de Inês Torcato, marcaram o início do segundo dia do Portugal Fashion na sexta-feira, no Porto.

A jovem ‘designer’ e ex-‘bloomer’ Sara Maia deu o tiro de arranque do segundo dia desta edição do Portugal Fashion e levou para a passarela coordenados inspirados no mundo dos ‘cowboys’ e do motocrosse, mas onde não faltaram longos sobretudos em bombazine branca e ‘trench coats’ compridas (espécie de gabardine) de cor também branca.

“Descreveria a coleção como a que eu mais arrisquei. Acho que perdi o medo”, assumiu à Lusa, recordando que mesmo quando na fábrica lhe diziam que era impossível fazer, ela não deitava a ideia ao lixo, como sucedeu com a ideia de capas para os sapatos ou com o padrão de pele de vaca que quis colocar no ‘denim’.

Inês Torcato tomou conta da passarela do Portugal Fashion logo a seguir a Sara Maia, apresentando 26 coordenados inspirados no Artigo 1.º da Declaração Universal dos Direitos Humanos.

“Aquilo que eu quero transmitir é aquilo que está na declaração. Igualdade de tudo, não só de género, quero que percebam que todos temos os mesmo direitos. Aquilo que eu consigo representar mais num desfile é a igualdade de género, consigo isso através das peças unissexo e sem género. Mas quis transmitir todo o tipo de igualdade”, explicou à Lusa Inês Torcato, a também ex-bloomer’ que trouxe o cantor, DJ e produtor musical brasileiro Jaloo para participar no seu desfile e vai apresentar pela primeira vez em palco a sua nova música “Dói d+”.

“Achei que ele era a pessoa perfeita para personificar a declaração dos direitos humanos”, observou, referindo que a coleção, com alguns materiais orgânicos e reciclados, mas também vinis, apresenta vários conjuntos unissexo, como casacos longos, largos em busca de uma silhueta “retilínea e mais andrógena”.

A marca Sophia Kah da ‘designer’ Ana Teixeira de Sousa trouxe a nova coleção “Tiger Soul” em homenagem a uma mulher “forte, poderosa e destemida como um tigre”.

“Quis trazer um guarda-roupa para a mulher lutar pelo fim da desigualdade de género”, avançou, realçando que a roupa não tem apenas uma função “superficial”, mas principalmente para ajudar a “enfrentar o mundo”, acrescentando que, apesar de ser difícil criar roupas totalmente “orgânicas”, a coleção é o mais “‘green’ possível”.

O ‘designer’ Estelita Mendonça apresentou uma coleção sobre a “fragilidade humana” num desfile que era tudo menos convencional e que classificou à Lusa como um “happening” (acontecimento), aproximando-se do rumo da moda no plano internacional.

Durante o desfile, os 15 coordenados da coleção foram apresentados por modelos que levavam uma coluna com música, mostrando uma reflexão sobre como “cada um de nós só ouve a própria música e não pensa em coletivo”, considerou o ‘designer’.

Além das dezenas de desfiles, o evento de moda tem um ‘showroom’ Brand Up, com vestuário, calçado, joalharia, ourivesaria, acessórios, marroquinaria e produtos ‘lifestyle’.

O Portugal Fashion, um projeto da responsabilidade da Associação Nacional de Jovens Empresários, é desenvolvido em parceria com a Associação Têxtil e Vestuário de Portugal, e é financiado pelo Portugal 2020, no âmbito do Compete 2020.

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