D. Pedro de Lencastre é tema da 10.ª edição da feira de época de Torres Novas

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Com o tema «Tempos Sombrios – D. Pedro de Lencastre, inquisidor-geral do reino», Torres Novas volta a recuar no tempo com a sua décima edição da feira de época que este ano tem lugar de 29 de maio a 2 de junho.

A ação tem lugar na década de 70 do século XVII. A Inquisição e os Tribunais do Santo Ofício são instituições que representam o poder e através das quais ele se manifesta. Dona de um controlo social feroz, a Inquisição, leva a cabo perseguições, encarceramentos, torturas e autos de fé. A par de outras perseguições, condenações e de proibições várias, a intolerância e a vigilância dos comportamentos dos cristãos-novos e de suas famílias têm ainda nesta época um cariz muito violento, onde a denúncia e o medo marcam os comportamentos do dia-a-dia.As mulheres são socialmente, também, bastante controladas, situação que se perpetua e que não é nova. Regista-se o grande número de mulheres que são enviadas para conventos como forma de penitência. Os desvios à norma eram feitos em segredo e em refúgios. Se alguma confidência se deixava escapar, ao pecador a confissão era arrancada pela tortura, física e psicológica. Sempre em nome de Deus e da remissão dos pecados, com forte componente, quer cénica, quer pedagógica, tanto no castigo como na absolvição. Reina em Portugal D. Pedro II, irmão do malogrado Afonso VI. Vivem-se tempos sombrios.

É este o cenário que a edição de 2019 desta feira de época pretende desenhar através de momentos de recriação histórica, atividades lúdicas, performances musicais e teatrais que criam o ambiente certo para uma viagem única. No recinto da feira, o visitante encontra inúmeros cenários e personagens. Percorrer a mouraria, universo de cores e de cheiros ímpares; empunhar espadas na praça d’armas; entrar no submundo dos enfermos e desvalidos no Postigo da Traição; conhecer outras histórias no Paço dos Robertos ou provar iguarias numa das muitas bodegas da feira são apenas algumas das vivências que este evento tem para oferecer.

As pulseiras livre-trânsito estarão em pré-venda de 3 a 19 de maio pelo valor de 4,5€ para os cinco dias. Durante o evento o livre-trânsito tem o custo de 7€ e a pulseira diária 5€. Desconto de família nas pulseiras diárias: 1 filho/a (13 a 17 anos) acompanhado/a pelo pai e/ou mãe 20% de desconto sobre o valor total; 2 filhos/as ou mais (13 a 17 anos) acompanhados/as pelo pai e/ou mãe 30% de desconto sobre o valor total. Entrada gratuita para crianças até aos 12 anos, inclusive.

Mais informações em www.memoriasdahistoria.pt.

PEDRO DE LENCASTRE . 1608 – 1673

Inquisidor-geral do reino no período que se compreendeu entre outubro de 1671 a abril de 1673.

Exerceu o cargo durante um período de intensa atividade inquisitorial aliado a um ciclo de instabilidade política e económica que acompanhou o início da regência de D. Pedro II, por renúncia ao trono do rei Afonso VI, incapaz por doença.

Os Lencastre receberam esta denominação no século XIV através da rainha D. Filipa de Lencastre, nome que herdara de seu pai, o príncipe John of Gaunt, duque de Lancaster.

Mais tarde, D. João II usou-o na legitimação do seu filho natural – D. Jorge de Lencastre, fruto da sua relação com D. Ana de Mendonça.

Os Lencastre e a Casa de Aveiro estiveram fortemente ligados a Torres Novas desde que D. João de Lencastre (1501 — 22 de Agosto de 1571), neto de D. João II, foi nomeado primeiro Marquês de Torres Novas, titulo concedido pelo rei D. Manuel I.

Desta linhagem nobiliárquica, que teve nomes ilustres sempre em estreita relação com a Coroa, e quase um século depois, foi D. Pedro de Lencastre 5.º Duque de Aveiro e 5º Marquês de Torres Novas, nomeado como Inquisidor-Geral em 1671.

Como homem dedicado sempre à Igreja não teve filhos.

Frequentou a Universidade de Coimbra, após o que foi nomeado bispo da Guarda por D. João IV. Teve entre outras funções, cargos como o de Conselheiro de Estado e Arcebispo de Évora, e Presidente da Mesa do Desembargo do Paço em 1651, entre outros. Pedro de Lencastre já era titular da Casa de Aveiro, aquando desta prestigiante nomeação.

A Inquisição teve mão forte durante o governo de D. Pedro de Lencastre. A sua ação inquisitorial apostou em fazer cumprir ferozmente as medidas previstas mormente contra a comunidade de cristãos-novos. A curta passagem de dezoito meses pelo lugar maior dentro da hierarquia nacional daquele Tribunal teve por isso grande impacto por notório excesso de zelo no cumprimento e execução de medidas de punição por suspeita de desvios. Viveram-se tempos sombrios. Desta época, importa referir a ação de resistentes como é o conhecido caso do seu contemporâneo, o padre António Vieira.

Há uma dissertação de mestrado relevante para a compreensão da personagem e do tema, importante alicerce das nossas opções para o tema deste ano, da autoria de Marta Ribas, cuja referência aqui deixamos. RIBAS, Marta Silveira Martins – O Governo do Tribunal do Santo Ofício no Tempo de D. Pedro de Lencastre (1671 ‑1673) – Garantir a fé em tempos conturbados. Boletim do Arquivo da Universidade de Coimbra. Vol. 27 (2014).

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