Entrevista de Costa vista em Belém como mais uma oportunidade perdida

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A entrevista de António Costa à TVI foi vista por sectores próximos do Presidente da República como mais uma oportunidade perdida para reconstruir a sua imagem junto dos portugueses.

Se o tom até foi considerado simpático para com Marcelo Rebelo de Sousa, entende-se que continua a faltar a ligação com os portugueses e a demonstração de que o primeiro-ministro realmente percebeu o que aconteceu.

Em Belém considera-se que a ausência de novidades, de sentimento e de medidas concretas, para além do catálogo do que é preciso ser feito, não ajudou a recuperar a confiança pública.

Nem o facto de o cenário ter sido o quartel dos Bombeiros da Pampilhosa da Serra, uma das localidades mais afectadas pelos incêndios de Outubro, é vista como tendo funcionado a seu favor.

Se por um lado os machados, os capacetes, as mangueiras, davam um ar kitsh que distraía o telespectador, por outro faltou uma palavra de compreensão sobre o papel dos bombeiros nestas tragédias.

Ainda mais, tendo a entrevista acontecido horas depois de uma ameaça do recém-reeleito presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses (LBP), Jaime Marta Soares, de que os voluntários podiam ir para “a rua” se não forem “respeitados”.

Foi no encerramento do 43.º Congresso da LBP, em Fafe, em que o primeiro-ministro interveio depois de Marta Soares ter afirmado que os bombeiros voluntários poderão partir para manifestações se não forem respondidas as suas exigências de terem verbas do Estado e um comando próprio, ficando fora da alçada da Protecção Civil.

Na sua intervenção, António Costa não deu resposta positiva, pelo contrário, apelou ao envolvimento de todos os agentes de protecção civil na reforma do sector, bombeiros incluídos, frisando que “todos são poucos” para “a indispensável mudança”.

Se o discurso de Jaime Soares já tinha sido duro, o tom subiu após ouvir o chefe de Governo: “Queira encontrar-nos na rua apenas por razões do exercício da nossa função.

Somos soldados da paz e da vida mas não temos qualquer receio em fazer guerra a quem puser a nossa paz em causa”, afirmou o presidente da Liga ao portal Bombeiros.pt, já depois de ouvir o primeiro-ministro.

Quanto às relações institucionais entre primeiro-ministro e Presidente da República, elas são retomadas publicamente esta segunda-feira, no Conselho de Estado.

Na terça-feira, irão juntos para Coimbra, para assistir ao doutoramento honoris causa do presidente da Comissão Europeia, Jean-Claude Juncker. Os sorrisos deverão voltar ao palco e os avisos aos bastidores. Pelo menos para já.

Este artigo foi publicado originalmente no Público

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