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01/12/2019 09:37

Equitação terapêutica ajuda em Matosinhos idosos que sobreviveram ao cancro

Por Lusa

Um projeto de equitação terapêutica, em Matosinhos, há um ano que ajuda idosos sobreviventes ao cancro, na maioria mulheres, a ter uma vida melhor e a realizar sonhos, trabalhando os aspetos físicos e emocionais.

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No terreno há uma década, a trabalhar com pessoas portadoras de deficiência, a Associação Equiterapêutica do Porto e Matosinhos (AEPM) aceitou há um ano o repto da Associação de Apoio a Pessoas com Cancro (AAPC) para fazer nascer um novo projeto, agora dedicado a sobreviventes de doenças oncológicas.

“Percebemos nos últimos anos que a utilização de cavalos para fins terapêuticos, ou mesmo em atividades lúdicas e pedagógicas, é muito útil”, justificou à Lusa, a presidente da AEPM, Joana Pereira.

As terapias “decorrem uma vez por semana”, com a “participação de oito utentes de cada vez”, no picadeiro do Lar do Comércio, em Matosinhos, podendo “durar cerca de duas horas”, acrescentou.

“Trabalham-se várias competências, mas principalmente a emocional, a relação que se estabelece com o animal”, disse Joana Pereira, enaltecendo também como mais-valias “o trabalho físico [em cima do cavalo] e as competências mentais”.

Na mesma linha de pensamento, Susana Pires Duarte, coordenadora da AAPC, destacou os “ganhos diversos”, a partir do momento em que os idosos, com a ajuda de dois técnicos, sobem os degraus para montar uma égua de 14 anos.

“Estamos a falar de doentes oncológicos que estão numa fase de sobrevivência. Falamos de emoções, de isolamento social e os ganhos são tentar recuperar, ainda melhor, numa fase de sobrevivência [em que ainda há] consequências da doença, quimioterapia e radioterapia”, vincou a coordenadora.

E prosseguiu: “são terapias que podem auxiliar, por exemplo, na falta de memória, que é uma consequência dos tratamentos, ao ter [acesso a] exercícios repetitivos, todos os meses ou semanas”.

Na “maioria mulheres sobreviventes do cancro da mama”, informou Susana Pires Duarte, a faixa etária dos utentes na equitação terapêutica vai dos 35 aos 73 anos, distribuindo-se por duas turmas de oito.

Esta proposta foi recebida pelos utentes com muito agrado, pois uma parte deles nunca teve contacto com cavalos e tinha esse desejo e vontade.

Associação que tem “finalidade prestar assistência e apoio a pessoas carentes portadores de cancro”, na AAPC, segundo a coordenadora, ocorre depois, nas consultas de psicologia, a segunda parte do tratamento, fazendo-se a “ponte das emoções vividas”.

Em cima da égua Cabriola, depois de duas voltas ao picadeiro, Maria Cunha, de 70 anos, falou à Lusa dos efeitos da terapia que a ajuda hoje a continuar a combater os efeitos do cancro da mama que venceu há 23 anos.

“Estas aulas descontraem-me. Há uma presença com os animais e nós convivemos com isso. Os exercícios, o equilíbrio, as emoções”, descreveu, numa conversa a que colou a memória de ter sido vizinha, enquanto criança, do Sport Club do Porto, altura em que nasceu a “paixão” pelos cavalos.

Garantindo que a “terapia é muito válida”, porque transmite “paz”, Maria Cunha repetiu a ordem e a Cabriola retomou o circuito circular, com vários aparelhos, distribuídos para exercitar os utentes enquanto cavalgam.

Eva Silva, de 65 anos, não escondeu à Lusa a emoção “fabulosa” quando falou dos passeios em cima da égua branca, que lhe permitiu cumprir o sonho de quando tinha quatro anos.

“Eu tive com ela um enlace tamanho, de um soluço incontrolável que ela entendeu e me deixou chorar e agarrar a ela”, descreveu a utente da AAPC, sublinhando as benfeitorias à “coluna cervical” que lhe traz “fazer o jogo de cintura” a cavalo e a “paz ao ego” que é estar com a égua.

E concluiu: “é algo que me dá em dobro aquilo que eu preciso. De carinho, de amor, de compreensão. Ela não fala, mas escuta tudo o que eu lhe digo”.

O projeto é aberto a todas as pessoas que estejam a viver ou já tenham ultrapassado a doença, informou Susana Pires Duarte.

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Lusa

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