Escrava sexual de 16 anos mata agressor e é condenada a prisão perpétua

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Parece ficção, mas é bem real e está a chocar o mundo e os Estados Unidos da América (EUA). Cyntoia Brown tinha 16 anos quando foi condenada a uma pena de prisão perpétua pelo homícidio de um homem de 43 anos a quem alegadamente tinha sido “vendida” a fim de ser a sua escrava sexual.

O caso remonta ao ano de 2004, e agora, 13 anos depois, a história de Cyntoia volta a estar na boca do mundo e dos meios de comunicação norte-americanos. “Me Facing Life”, um documentário produzido pelo cineasta Dan Birman e exibido no canal televisivo Fox17 News, conta a verdadeira história da jovem que foi condenada a prisão perpétua pela morte de um homem que a maltratava e abusava constantemente.

O filme revela pormenores da curta vida de Cyntoia em liberdade, pormenores ignorados pela justiça e pela opinião pública quando a mesma foi condenada em tribunal, no estado norte-americano do Tennessee, nos EUA.

Cintoya tinha 16 anos quando fugiu de casa. Conheceu um homem mais velho, de 24 anos, conhecido por ‘Cut-throat’, que lhe deu abrigo em troca de esta se tornar prostituta e escrava sexual. Durante a adolescência, a jovem viveu repetidamente situações de abuso sexual por parte de vários homens e chegou a ser ameaçada de morte pelo homem que a acolheu, que lhe apontava várias armas de fogo para obter o que queria.

Foi nessa altura que Cyntoia foi apresentada a Johnny Allen, um vendedor de imóveis, de Nashville, que a “comprou” a ‘Cut-throat’ para fins sexuais. No documentário, a jovem revela que começou a ter medo do homem devido às atitudes possessivas deste e da grande quantidade de armas militares que este possuia em casa e que fazia questão de exibir. Para além disso, o homem violava-a constantemente e obrigava-a a fazer sexo contra a sua vontade.

Uma noite, farta de ser abusada e maltratada, Cyntoia não aguentou e utilizou uma das armas de Johnny Allen para disparar sobre a cabeça deste, matando-o. Em tribunal, a jovem confessou o crime de imediato, admitindo a culpa e alegando o ambiente abusivo em que vivia e de que era vítima desde tenra idade.

Ainda assim, o juíz não se mostrou misericordioso com a situação, e condenou a jovem de 16 anos a uma pena de prisão perpétua, apenas com possibilidade de direito à liberdade condicional passados 51 anos. Hoje, Cyntoia tem 28 anos e vive na prisão há 13. Licenciou-se num programa especial para presidiárias e sonha com uma vida normal longe das grades da cadeia. De acordo com a sentença imposta pelo juiz, a jovem só poderá ter a possibilidade de sair em liberdade condicional quando tiver pelo menos 67 anos.

Caso choca celebridas como Rihanna e Kim Kardashian:

O caso dramático de Cyntoia Brown está a chocar várias celebridades internacionais que têm feito uso das suas redes sociais para mostrar o seu desagrado perante a história da jovem. Rihanna, Kim Kardashian e Cara Delevingne não ficaram indiferentes ao documentário exposto pela Fox17 News e expressaram publicamente a sua revolta.

“De que forma é que a definição de justiça se alterou tanto? Sabes que algo está muito mal quando o sistema protege estes violadores e atira a vítima para a prisão a vida toda! (…) Para cada um de vocês responsável pela sentença de vida desta criança espero que não tenham filhas porque podia ser a vossa filha a ser punida por ter feito justiça”, escreveu Rihanna no Instagram, numa legenda acompanhada da hashtag #FREECYNTOIABROWN, que se está a tornar viral nas redes sociais.

A socialite Kim Kardashian utilizou o Twitter para expressar a sua tristeza e prometeu tentar ajudar a jovem através da justiça. “O sistema falhou (…) Liguei ontem aos meus advogados para ver o que podemos fazer para resolver isto”, escreveu a mulher de Kanye West na rede social.

A modelo Cara Delevingne mostra-se estupefacta com o sistema jurídico do seu país. “Este sistema de justiça é tão retrógado! Isto é completamente inacreditável”, pode ler-se no Twitter da atriz.

O movimento gerado pela hashtag #FREECYNTOIABROWN está a crescer, quer nos EUA, quer no resto do mundo e já há inclusivamente petições para pedir a revisão da pena aplicada à jovem.

Este artigo foi publicado originalmente no Correio da Manhã

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