Falta de operários põe em risco crescimento da construção

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Faltam carpinteiros, eletricistas e outros operários qualificados. A falta de mão de obra “começa a ser um problema” na construção e será, muito em breve, um fator “limitativo ao seu crescimento”, alerta é de Ricardo Gomes, da Federação Portuguesa da Indústria da Construção e Obras Públicas (Fepicop). Nas suas contas são necessários 80 a 100 mil trabalhadores este ano.

O problema agrava-se pela falta de competitividade dos salários, defende o Sindicato da Construção. “Jamais virão os mais de 200 mil trabalhadores que saíram de Portugal nos últimos seis anos”.

Ricardo Gomes reconhece que os salários mais altos pagos na Europa estão a impedir o regresso de muitos trabalhadores e fala num “desencontro complexo” de necessidades de mão de obra no espaço europeu que está a “prejudicar” os países com condições económicas “menos vantajosas”, como Portugal. Assume, no entanto, que os preços praticados nas obras em Portugal não permitem ainda pagar melhor.

Reis Campos, presidente da AICCOPN, aponta o dedo à “clandestinidade” no setor, mas também aos donos de obra: “Há concursos públicos que ficam desertos porque os preços base apresentados ainda não são realistas”. O que não é um exclusivo das obras públicas. “Fala-se muito da subida dos preços das casas, mas a verdade é que a fatia de leão fica no imobiliário. O preço pago à construção praticamente não teve qualquer acréscimo nos últimos 10 ou 12 anos.

O que, se retirarmos o efeito inflação, indica que, em rigor, até baixaram”, frisa Ricardo Gomes. Albano Ribeiro, presidente do Sindicato da Construção, lamenta que os trabalhadores estejam a “contribuir, e muito, para o crescimento e desenvolvimento da economia do país”, sem que isso se reflita nos salários. “É preciso estimular o capital humano”, defende.

“Há empresas que pagam acima da tabela, claro que sim, mas há muitos trabalhadores a ganhar o salário mínimo. E que todos os dias emigram”. O sindicato reclama um salário de 730 euros para trabalhadores indiferenciados e de 800 euros para operários qualificados.

Reis Campos acha que o problema não está aí. “A tabela é virtual. O que conta é o que as empresas pagam aos trabalhadores. Com a falta de mão de obra, um operário tem portas abertas em todo o lado para mudar”, argumenta.

E como se resolve então a questão da falta de mão de obra quando há 50 mil trabalhadores da construção ainda inscritos nos centros de emprego? Com fiscalização mais apertada, pedem os patrões. Mas Ricardo Gomes lembra que o o ritmo de redução dos desempregados da construção é significativo: uma redução homóloga acumulada de 28% no final do ano. “Mesmo que se reduza a zero o desemprego da construção, ainda faltarão outros tantos”,.

A solução passará, acredita, por criar condições para a contratação de trabalhadores estrangeiros para o setor, devidamente formados para tal, mas também por uma mudança cultural.

“Precisamos de alterar os métodos de construção e até a tipologia de edifícios em que vivemos, incorporando soluções de prefabricação, de modo a exigirem muito menos operários nas obras”, defende Ricardo Gomes, que acredita que o problema da escassez de mão de obra se tornará “permanente” no futuro, dado o envelhecimento da população.

Este artigo foi publicado originalmente no Dinheiro Vivo

  1. Anónimo disse:

    Que tipo de pais da comunidade europeia é Portugal que paga os salários mais baixos de todos os paises da comunidade. Um engenheiro civil ou um encarregado qualificado ganha o dobro do dinheiro em África e com mais regalias.

  2. Adelino Louro disse:

    Ainda gostava de saber o que um professor , um enfermeiro ou um médico é mais que um carpeiteiro, trolha eletrecista ou canalizador, se não forem estes dormem na rua, tomam banho no rio e comem à luz das velas.

  3. RODRIGO MIRANDA disse:

    O problema é que carpinteiros e electreciatas da construcão ganham acima de professores, enfermeiros etc . Pelo menos no Reino Unido. Para um aorendiz ou ajudante talvez 800 euros….para um official se não entram com 1800 a 2000 esquece.

  4. Anónimo disse:

    É só darem bons ordenados e não faltam trabalhadores em portugal

  5. Hugo disse:

    800 qualquer serviço e 1200 para qualificado ou só quem estuda é que tem direito a receber um bom ordenado .Ums estudam até aos 26 e recebe de ordenado 1300 a 1500 outros começam a trabalhar aos 17 e aprendem para receber 680 euros toda a vida que é uma vergonha o trabalho não se faz no papel a força não é no papel o andar achava ao frio e ao sol não é no papel Os nosso governantes pertencem ao papel não ao duro

  6. Anónimo disse:

    E uma questão de salários como en todos sectores o patronato cada vês maus ricos e quem trabalha cada vês menos poder de compra

  7. Anónimo disse:

    2600euros por mes e vamos todos para ai

  8. Alfredo olivera disse:

    Falta de ordenado para acerize

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