Faltam 28 mil trabalhadores para a indústria metalúrgica

Detectamos que usa um AdBlock

Utilizamos anúncios para ajudar a manter o nosso site, considere desativar o AdBlock (bloqueador de anúncios) no nosso site para poder ver os conteúdos.

Os nossos anúncios não são intrusivos!

Há um ano, as empresas de metalurgia e metalomecânica estimavam em cinco a dez mil o défice de mão-de-obra qualificada; hoje, a indústria garante que precisa já de 28 mil trabalhadores para crescer e que não encontra em Portugal.

A situação vai agravar-se nos próximos anos, porque o CENFIM, o centro protocolar de formação do setor não abriu, este ano, novas turmas, em resultado das cativações promovidas pelo Estado e que introduzem “graves constrangimentos orçamentais”.

O Ministério do Trabalho diz que “estão a ser trabalhadas soluções”. “Os constrangimentos que refere estão identificados, estando a ser trabalhadas soluções, algumas das quais em sede dos normativos do Orçamento do Estado.

Para 2018 encontra-se igualmente previsto um reforço dos orçamentos dos Centros de Gestão Participada, como é o caso do CENFIM”, diz fonte oficial do gabinete de Vieira da Silva em resposta ao DN/Dinheiro Vivo.

O tema estará em debate esta quinta-feira, na conferência Formação – Desafios de Competitividade, que encerra o programa comemorativo dos 60 anos da AIMMAP, a associação da indústria, e que conta com a presença do secretário de Estado do Emprego, Miguel Cabrita.

“Queremos alertar para este problema, que é muito grave e que afeta a competitividade das empresas.

As cativações orçamentais, e a sua não descativação por imposição do Ministério das Finanças, tem constrangido, de forma muito séria, a atividade do CENFIM, que, nos últimos 30 anos, formou e qualificou 200 mil pessoas nos seus 13 núcleos pelo país e com uma taxa de empregabilidade norte-coreana, diria, da ordem dos 99,99%”, diz Rafael Campos Pereira, vice-presidente da AIMMAP.

Com um orçamento anual de 16 milhões de euros, com origem maioritária nas contribuições patronais e dos trabalhadores para a Segurança Social, o Centro de Formação Profissional da Indústria Metalúrgica e Metalomecânica tem sido alvo de cativações anuais de 2,6 milhões. E a que se deve a súbita falta de mão de obra?

À evolução demográfica negativa, diz Rafael Campos Pereira, mas também à falta de atratividade da indústria para os jovens, tornando difícil a substituição dos trabalhadores que se vão reformando.

Além disso, “o enorme crescimento da indústria, com investimentos novos, quer de quem já cá está quer de novas empresas” tem criado crescentes necessidades de trabalhadores.

Há empresas já a promover os seus próprios cursos de formação e outras a procurar importar mão de obra de outros países, designadamente, da América Latina.

Mas a legalização “não tem sido simples”.

Além da análise do presente e do impacto que as questões da formação estão a ter no crescimento do setor, a conferência desta quinta-feira, no Porto, vai, também, fazer a análise prospetiva do que será o futuro da indústria em Portugal por via da mudança de paradigma, com a robotização e a digitalização das empresas.

Rafael Campos Pereira acredita que a quarta revolução industrial, a chamada Indústria 4.0, poderá ter efeitos positivos em termos sociais, com a eliminação de postos de trabalho mais obsoletas e a geração de novos perfis profissionais, na área da logística, da manutenção, da investigação e desenvolvimento, etc, que sejam mais estimulantes e mais atrativos para os jovens.

“O que está a acontecer, na prática, não é a destruição, mas a regeneração de emprego, com o surgimento de novos perfis profissionais com uma vertentes mais tecnológica.

A mudança de paradigma dá-se, também, do ponto de vista social.

Os novos perfis vão tornar muito mais fácil e muito mais ágil a atração dos jovens e ajudarão, assim, a contribuir duplamente para preencher as necessidade de produção da indústria”, diz o vice-presidente da AIMMAP.

Este artigo foi publicado originalmente no Dinheiro Vivo

Qual a sua opinião?