Férias curtas e mais frequentes são melhores. É a ciência que o diz

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Investigadores finlandeses dizem que ao oitavo dia de férias é atingido o pico máximo de bem-estar, pelo que não existem grandes benefícios em tirar quinze dias seguidos. O melhor, defendem, é fazer várias pausas no ano.

“Uma semaninha é o tempo ideal para repor energias.” Se as férias dependerem exclusivamente da vontade de Tiago Vicente, o analista de melhoria contínua na EDP trabalha dois a três meses e tira alguns dias para descansar. “No ano passado só tive férias curtas, a apanhar feriados e fins de semana.

Visitei cinco cidades europeias”, conta ao DN o jovem, de 25 anos. Nunca gostou de parar mais do que uma semana, pelo que já se habituou a fazer uma “boa ginástica” com os 22 dias de férias. “A partir do oitavo começo a ficar entediado. Dá-me mais motivação assim, do que trabalhar seis meses sem pausas.” Neste ano, ao contrário do que vem sendo hábito, terá dez dias seguidos, mas não por vontade própria.

Diz a ciência que a forma mais eficiente de tirar férias é optar por períodos curtos ao longo do ano. “As provas reunidas até agora indicam que o efeito saudável das férias é idêntico quer durem oito dias ou 15”, garante Jessica de Bloom, investigadora da Universidade de Tampere (Finlândia), ao El Mundo.

Juntamente com outros investigadores, a psicóloga organizacional tem vindo a dedicar-se à temática das férias, tendo concluído que, a partir do segundo dia de descanso, a saúde melhora e aumentam os níveis de energia. Ao oitavo, defende, é alcançado o pico máximo de bem-estar. Por isso, a equipa sugere que o melhor são férias mais curtas e mais frequentes.

De acordo com os investigadores, as férias são de elevada importância para a saúde. “Existem evidências empíricas de que as férias promovem a saúde e que, após um longo período sem pausas, somos mais vulneráveis a doenças cardiovasculares e aumenta o risco de morte prematura”, destaca Jessica de Bloom. O simples facto de sonhar com uma viagem e organizá-la já constitui, por si só, um fator de bem-estar.

Oito dias no mínimo

Conceição Espada, especialista em gestão de stress, chi kung e meditação, defende que “se devem fazer pausas regulares para o stress não chegar a um ponto de exaustão”. “Até mesmo durante o dia, para que não se chegue ao limite”, adverte.

Concorda que as férias devem ser repartidas, “mas não é aconselhável parar dois dias de cada vez”. “É importante tirar oito ou dez dias seguidos e não deixar as férias todas para três semanas ou um mês. Acabam por render pouco quando se acumula tudo no mesmo período”, defende.

Há quem considere, no entanto, que uma semana não chega para desligar do ritmo frenético do dia-a-dia. É o caso de Filipe Dias, engenheiro informático, de 46 anos: “Prefiro tirar férias durante duas ou três semanas, porque sinto necessidade de cortar com a rotina. Se tiver só uma semana, não consigo sentir esse corte.”

Há largos anos a ensinar as pessoas a gerir o stress, Conceição Espada diz que quando alguém fica vários meses sem pausas “vai de férias num pico de cansaço”. E existem vários inconvenientes: “Passa o resto do ano a pensar nas férias; acumula trabalho antes do período de descanso e, normalmente, na última semana das férias só pensa no que terá para fazer quando voltar.”

Utilização mínima do telemóvel

Se para alguns desfrutar das férias é sinónimo de não fazer nada, há quem não consiga parar. “Há pessoas para as quais é fácil e necessitam de não fazer nada, mas há quem tenha níveis de stress tão elevados que não consegue não fazer nada.” O que interessa, sublinha, “é dormir bem e mais” e não ter “uma agenda muito preenchida”.

Quanto ao telemóvel, o conselho da especialista é que seja usado o menos possível. “Mas é utópico”. Isto porque, esclarece, “se há uma adição ao smartphone, ela não vai deixar de existir nas férias”. “A relação com o telemóvel tem de ser educada todos os dias.”

A partir de determinada hora do dia, Conceição Espada considera que não deve ser consultado o telemóvel do trabalho. Há profissões que não o permitem, reconhece, mas essa não é a regra.

Passar as férias agarrado às redes sociais não será boa ideia. “Façam o esforço de tirar partido do melhor que as férias, os sítios e a natureza têm para oferecer”, propõe. Há especialistas que defendem que se deve guardar o melhor para o fim das férias, mas essa não é a opinião de Conceição Espada. “Vivo o melhor em cada momento.” Até porque, lembra, não se sabe o dia de amanhã.

Este artigo foi publicado originalmente no Diário de Notícias

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