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Filipe La Féria celebra hoje 74 anos

Conheça a vida e o percurso do 'senhor teatro-revista'...

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É o maior encenador português sendo responsável pela revitalização do teatro de revista nacional.

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Luís Filipe Valente La Féria Orta – que usa o nome artístico Filipe La Féria – celebra neste dia 17 de maio, 74 anos de vida.

Em dia de aniversário, o Informa+ presta-lhe homenagem.

Recordamos o seu percurso desde o nascimento em Serpa, passando por Londres onde estudou, até Lisboa onde se fixa e produz os espectáculos mais vistos do teatro de revista em Portugal. Em quase todos os seus espectáculos assiste-se a autênticas romarias até ao Teatro Politeama, com excursões de centenas de pessoas vindas de todo o país para assistirem às suas peças.

O seu sucesso é inegável e reconhecido.
E tudo começou no Alentejo, em Vila Nova de São Bento, no concelho de Serpa.

A casa onde nasceu é hoje a Junta de Freguesia e tem uma placa a dizer “Aqui nasceu Filipe La Féria”, algo que o deixa feliz.

Proveniente de uma família de lavradores e ganadeiros abastados, que tinha uma parte maçónica e outra religiosa, é o mais novo de seis irmãos.

Filipe La Féria foi sempre muito teatral. Em pequenino, já inventava personagens e montava espectáculos à dimensão do seu sonho de criança, juntando papel, cartão e caricaturas que recortava do Diário de Notícias: “Recortava aquilo tudo, colava e dava-lhes consistência com cartão. Depois, com uma caixa de sapatos ou de chapéus, fazia uns teatros”, conta numa entrevista à revista Sábado, em 2016.

Fazia palcos improvisados, escrevia e fazia encenações. Era a sua principal brincadeira de infância e acabou por lhe traçar o caminho e a vida.

Depois, foi a avó paterna, Dolores – figura tutelar e matriarca da família – quem lhe aprimorou os gostos e lhe serviu de guia artística. Mulher “muito progressista, culta e viajada” e “muito avançada para o seu tempo”, era amiga de escritores e de poetas. Levava-o a espectáculos e à ópera. Dela acabaria por herdar a paixão pela música e pelo Musical.

Da mãe, Maria Valente, ficou-lhe a ironia e o sentido de humor. Do pai, Luís, herdou a megalomania: “Fazia tudo com a mania das grandezas e eu também tenho isso”, conta.

Os pais morreram muito cedo e não tiveram, por isso, oportunidade de assistir à carreira e ao sucesso de La Féria como encenador. Só conheceram o filho actor. Para eles, na época, “foi um desgosto” o jovem Filipe tornar-se artista. Mas isso nunca o impediu de seguir o sonho.

Por volta dos 18 anos, mudou-se de Serpa para Lisboa. Matriculou-se na Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, mas depressa se mudou para a Escola de Teatro do Conservatório Nacional.

Em 1963, estreia-se como actor. Passou pelo Teatro Nacional D. Maria II, pelo Teatro Estúdio de Lisboa, Teatro Experimental de Cascais, pela Casa da Comédia e Teatro da Cornucópia. Foi ator durante 12 anos.

Depois, com uma bolsa da Fundação Calouste Gulbenkian, fixou-se em Londres, onde obteve um diploma em Encenação. Quando regressa da capital britânica, assume, durante 16 anos, a direcção da Casa da Comédia.
Em 1990, apresenta a peça da sua autoria “passa Por Mim no Rossio”, no Teatro Nacional D. Maria II.

Para a televisão produziu, encenou, adaptou e dirigiu, entre outros, os espectáculos “Grande Noite” e “Cabaret”, ambos transmitidos na RTP1.

Em 2000, escreveu e encenou o musical “Amália”, que esteve 6 anos em cena e ultrapassou os 16 milhões de espectadores.

Seguiu-se, em 2001, “A Casa do Lago”, com Eunice Muñoz e Rui de Carvalho. Em 2002 faz “My Fair Lady”, com o qual conquista o Globo de Ouro para Melhor Espectáculo do Ano. Segue-se “A Rainha do Ferro Velho”, em 2004. Em 2006, apresentou “A Canção de Lisboa” e “O Principezinho”. No ano de 2007 mais duas grandes produções: “Música no Coração” e “Jesus Cristo Superstar”.

Como empresário, Filipe La Féria reconstruiu o Teatro Politeama onde estreou, entre outros, os espectáculos “Maldita Cocaína”, “Maria Callas” e “Rosa Tatuada”.

Em 2008, estreia as peças “West Side Story” e “Um Violino no Telhado”. No ano seguinte, apresentou o musical “Piaf” e as peças “A Gaiola das Loucas” e “O Feiticeiro de Oz”.

Em 2011, estreou as peças “Fado: História de um povo” e “O Melhor de Lá Féria”. Em 2012, é a vez do espectáculo “Judy Garland – o Fim do Arco Íris”.

Já este ano, em março estreou “Severa – o Musical”, aquele que considera o seu melhor trabalho. Levou 6 meses a montar o espectáculo e gastou “uma fortuna”.

Admirado por actores e pelo público, La Féria também viu o seu trabalho ser reconhecido por dois Presidentes da República. Em 1992, Mário Soares agraciou-o com o grau de Comendador da Ordem do Infante D. Henrique e, em 2006, foi condecorado pelo Presidente Jorge Sampaio com o grau de Grande-Oficial da Ordem do Mérito.

No resto, na vida mais privada e familiar, tem na filha, Catarina Alexandra La Féria Orta, de 36 anos, um dos seus pilares emocionais. O casamento dela, em novembro de 2010, foi um dos dias mais felizes da vida do encenador. Melhor, só mesmo o nascimento da neta, Leonor, hoje com 7 anos. “É uma nova visão da vida. Os filhos chegam no Verão, os netos no Outono”, diz.

Filipe La Féria continua a trabalhar e a fazer alguns dos melhores espectáculos produzidos em Portugal, conquistando o público e o respeito dos seus pares.

Um dia, quando o seu tempo, enfim, se esgotar, acha que será recordado “como um louco que fez tudo pelo teatro”.

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