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Fotógrafo documental José Sarmento Matos vence prémio Estação Imagem 2020 Coimbra

Coimbra, 18 jul 2020 (Lusa) – O fotógrafo documental José Sarmento Matos venceu o prémio Estação Imagem 2020 Coimbra, com um trabalho sobre o regresso a Portugal de uma família luso-venezuelana, anunciou hoje a organização.

A reportagem vencedora, intitulada “Abandonando o Sonho Venezuelano”, foi feita na Venezuela e em Portugal, “documentando os dois lados da vida da mesma família”, assinala a organização do prémio de fotografia.

“Fugiram de uma Venezuela em profunda crise humanitária, largando entes queridos, vidas inteiras, o sentimento de pertença e a identidade no recomeço de uma nova vida”, acrescenta.

O vencedor do prémio Estação Imagem 2020 Coimbra tem 31 anos, reside entre Londres e Lisboa e é fotógrafo ‘freelancer’ sem carteira profissional. Em 2015, José Sarmento Matos foi considerado pela agência Magnum Photos como um dos melhores 30 fotógrafos mundiais com menos de 30 anos.

Leonel de Castro, fotojornalista do Jornal de Notícias (JN) e vencedor do prémio Estação Imagem Coimbra 2019, arrebatou, pelo segundo ano consecutivo, o galardão Fotografia do Ano, com uma imagem intitulada “Voo de Esperança”, que retrata uma rapariga moçambicana, em pé, num baloiço, na cidade da Beira, atingida pelo ciclone Idai.

“Uma menina adolescente voa em direção aos céus por entre as árvores destruídas. Numa das principais artérias da cidade da Beira, Moçambique, depois de a província de Sofala ter sido dizimada com a passagem do ciclone Idai”, refere a organização.

Uma menção honrosa na mesma categoria foi atribuída a Ana Brígida por “Sem Luz”, um retrato do bairro da Torre, em Camarate, Lisboa, junto ao aeroporto Humberto Delgado, onde Flávia reside e acende velas dentro de casa, devido à falta de fornecimento de eletricidade.

Ana Brígida venceu também o prémio Arte e Espetáculos, com “Bulls”, um trabalho sobre a aprendizagem da arte de tourear entre os mais novos.

Na atual edição dos prémios Estação Imagem, a 11ª e a terceira realizada em Coimbra, Leonel de Castro venceu igualmente o galardão da categoria Assuntos Contemporâneos, com a reportagem “Os Continuadores”, feita no orfanato municipal com o mesmo nome na cidade da Beira, também afetado pelo ciclone Idai e “ainda mais desvalido, a precisar de obras, equipamentos e alimentos”.

O fotojornalista do JN foi ainda agraciado com uma menção honrosa na categoria Vida Quotidiana, com um trabalho sobre o Grande Hotel Beira, que chegou a ser o maior hotel de luxo do continente africano e “agora está em avançado estado de degradação e dá abrigo a 4.000 pessoas”, lê-se na sinopse da reportagem.

Na categoria Vida Quotidiana o prémio foi para Gonçalo Fonseca, autor de um trabalho sobre a ocupação ilegal de casas municipais em Lisboa por várias centenas de pessoas, que o fazem “para poder dar aos seus filhos um lugar para dormir”.

Por seu turno, Sebastião Almeida venceu uma menção honrosa na categoria Assuntos Contemporâneos com o trabalho “Nacionalidade N/A”, que olha para a situação dos cabo-verdianos nascidos em Portugal, mas que não são portugueses.

Esta situação afeta milhares de afrodescendentes, que possuem Cabo Verde como país de origem no passaporte, sem nunca terem visitado aquele país africano.

O prémio Notícias foi atribuído a Rui Duarte Silva, fotojornalista do Expresso, com o trabalho “Derrotado”, dez fotografias a preto e branco sobre a derrota do líder do PSD, Rui Rio, nas eleições legislativas de 2019.

Na mesma categoria Notícias, João Porfírio, fotojornalista do Observador, venceu uma menção honrosa com a reportagem “O Fogo Voltou a Incendiar a Angústia no Centro de Portugal”, captada na aldeia de Roda, em Mação, Santarém, cercada pelas chamas em julho do ano passado.

O galego Carlos Folgoso Sueiro foi distinguido com o prémio Ambiente pela reportagem “Terra Brilhante”, realizada na região russa de Yakutia, um território cinco vezes maior do que França, que ocupa três fusos horários e onde reside apenas um milhão de pessoas e produz “cerca de 28% dos diamantes do mundo”.

O prémio Série de Retratos contemplou o fotojornalista freelancer António Pedro Santos, colaborador da agência Lusa e autor da reportagem “O Amor de Mão Não É Cego”, que conta a história de Andreia Varela, 27 anos, nascida com maculopatia e que tem apenas 5% de visão, “mas não para por causa do filho de três anos”.

“Na rua, as pessoas estacam, perplexas, ao ver esta mulher, com ar de menina, a abrir caminho com a bengala e o filho ao colo”, lê-se na documentação que acompanha o trabalho premiado.

O prémio Desporto, atribuído ao ‘freelancer’ Rodrigo Antunes, também colaborador da Lusa, versa igualmente sobre a cegueira, neste caso contando a história de Miguel Vieira, o primeiro judoca paralímpico português em prova, nos jogos Paralímpicos de 2016, no Rio de Janeiro.

Por fim, a bolsa Estação Imagem Coimbra 2020 foi atribuída a Ricardo Lopes, colaborador do jornal Público, que apresentou uma proposta de reportagem denominada “Interior”, sobre o fenómeno do despovoamento na região Centro de Portugal.

Os prémios Estação Imagem 2020 Coimbra – hoje entregues numa cerimónia realizada no Convento de São Francisco – foram selecionados por um júri composto por Patrick Chauvel, fotógrafo de guerra independente e o mais antigo repórter de guerra em exercício, que presidiu, Brent Stirton, correspondente sénior da Getty Images, vencedor de 12 prémios World Press Photo e Fotógrafo do Ano de Vida Selvagem da National Geographic em 2017, Felipe Dana, fotojornalista brasileiro da Associated Press, e João Silva, fotógrafo do The New York Times desde 2000.

O festival de fotojornalismo começou no dia 5 com a inauguração de oito exposições, em diversos pontos de Coimbra, ficando a maioria patentes até 26 de setembro.

As alterações climáticas, migrações, o fim do Estado Islâmico ou os protestos em Hong Kong são alguns dos temas retratados nas exposições.

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