“Fui violada. Introduziram-me ratos vivos na vagina e em todo o corpo…” Os relatos impressionantes de quem viveu a ditadura de Pinochet

O livro “Assim se Torturou no Chile”, do jornalista Daniel Hopenhayn, descreve relatos impressionantes de mulheres, vítimas da ditadura de Augusto Pinochet.

Os testemunhos são referentes aos depoimentos das vítimas na Comissão Nacional sobre a Prisão Política entre 2003 e 2004.

“Há cenas simplesmente inexplicáveis, que transbordam a nossa imaginação sobre a condição humana”, explicou o autor Daniel ao El Pais.

Testemunhos impressionantes
Uma das mulheres foi detida em 1974 e esteve presa durante dois anos, sem ser acusada de nada.

Foi violada, engravidou e abortou na cadeia.

“Obrigaram-me a tomar drogas, fui violada e sofri assédio sexual com cães, introduziram-me ratos vivos na vagina e em todo o corpo. Obrigaram-me a ter relações sexuais com o meu pai e irmão que estavam detidos (…) Eu tinha 25 anos”, revela.

“Sofri choques elétricos, fui pendurada, posta no pau de arara (um método de tortura em que a vítima tem os membros amarrados, está apoiada numa barra de ferro e fica de cabeça para baixo), fizeram simulação de fuzilamento, sofri queimaduras com charutos.”, acrescenta.

Outra vítima, na altura com 14 anos, revela que em 1973 foi obrigada a fazer sexo oral a três militares.

“Não sei quem eram porque estavam encapuzados. Só sei que a minha vida nunca voltará a ser como antes”
, disse.

Do total de vítimas que depuseram nesta comissão, 12,5% eram mulheres (3.399). Os números conhecidos apontam para pelo menos 316 mulheres violadas, 11 das quais estavam grávidas.

Quem foi Augusto Pinochet, ditador do Chile

Augusto José Ramón Pinochet Ugarte foi um general do exército chileno e ditador do seu país de 1973 a 1990.

Nesta que foi uma das mais violentas ditaduras da América Latina, milhares de opositores foram mortos e torturados. Ao todo, estima-se que 3,2 mil pessoas tenham sido mortas sob o comando de Pinochet e outras 40 mil torturadas.

A ditadura chilena é conhecida por ter sido especialmente cruel com as mulheres.

Augusto Pinochet morreu a 10 de dezembro de 2006, sem ser penalizado por nenhum dos crimes cometidos sob a justificativa de senilidade.

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