Governo considera fundamental manter “bastião” europeu do multilateralismo no FMI

Bruxelas, 08 jul 2019 (Lusa) — O Governo português considera “fundamental” que a Europa “se una em torno de alguém” para a liderança do Fundo Monetário Internacional (FMI) que represente a defesa do multilateralismo na instituição, particularmente importante no contexto atual.

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À saída de uma reunião do Eurogrupo, em Bruxelas, o secretário de Estado Adjunto e das Finanças, Ricardo Mourinho Félix, indicou que a indigitação da atual diretora-geral do FMI, Christine Lagarde, para a liderança do Banco Central Europeu (BCE), decidida pelos chefes de Estado e de Governo da União Europeia na semana passada, foi um “ponto informativo” em agenda, e, considerando que é cedo para falar de nomes para a sua sucessão, realçou a importância de a Europa continuar a conferir ao FMI o seu caráter multilateral.

“Aquilo que me parece importante do ponto de vista europeu (é que) a Europa tem tido sempre o lugar de diretor-geral do Fundo Monetário Internacional. No período em que vivemos, de tensões comerciais, de algum retrocesso do multilateralismo, sendo o FMI uma das principais instituições multilaterais à escala global, e sendo a Europa um defensor do multilateralismo, que tem sempre sido, é importante que a Europa continue a defender esse multilateralismo”, disse.

Mourinho Félix afirmou por isso esperar que a Europa “se una em torno de alguém que represente esse multilateralismo e que possa manter esse papel do FMI, que foi muito importante, (…) não só na situação de alguns países europeus como Portugal, que tiveram crises e precisaram de assistência financeira, mas de outros países, como a Argentina e outros países do mundo”.

“Portanto, é fundamental que a Europa mantenha esse caráter de apoiante e bastião do multilateralismo à escala global”, reforçou.

Considerando que ainda é “muito prematuro” falar de nomes, o secretário de Estado das Finanças considerou que, nesta fase, importa sobretudo “definir um perfil e aquilo que a Europa quer em termos daquilo que seja a posição do diretor-geral do FMI, que é um lugar de uma importância muito significativa”.

A designação de Lagarde para a presidência do BCE (em substituição do italiano Mário Draghi) faz parte do ‘pacote’ de nomeações acordado na semana passada pelo Conselho Europeu para o novo ciclo político europeu, e que compreendeu também as presidências da Comissão Europeia e do Conselho Europeu, entre outros altos cargos.

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