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Governo: Iniciativa Liberal preocupada com mudanças nas Finanças no meio da crise

Lisboa, 09 jun 2020 (Lusa) – A Iniciativa Liberal defendeu hoje que a “continuidade de políticas” apesar da saída de Mário Centeno das Finanças é uma “má notícia”, considerando preocupante que, em altura de crise, haja mudanças “a meio do jogo” num ministério fundamental.

O Presidente da República aceitou hoje a exoneração de Mário Centeno como ministro de Estado e das Finanças, proposta pelo primeiro-ministro, e a sua substituição por João Leão, até agora secretário de Estado do Orçamento.

Em reação a esta saída de Mário Centeno do Governo, o deputado único da Iniciativa Liberal, João Cotrim Figueiredo, disse aos jornalistas, no parlamento, que estava a comentar “talvez o segredo mais mal guardado dos últimos tempos da política portuguesa e um tabu que nunca chegou a ser”.

“Do ponto de vista político já foi assumido pelo primeiro-ministro que é uma continuidade de políticas, é uma má notícia”, lamentou.

Na perspetiva do também presidente da Iniciativa Liberal, “este Ministério das Finanças foi o responsável pela maior carga fiscal de sempre em anos sucessivos, por uma sucessão de episódios de abusos e prepotências por parte da Autoridade Tributária e também pela invenção da austeridade socialista que consistia em cativações mais ou menos encapotadas e aparentemente vai continuar a ser assim”.

“Acontece que vai mudar uma equipa de um ministério fundamental nesta altura de crise a meio do jogo e isso é preocupante”, criticou.

Para Cotrim Figueiredo, “aqueles que mais deveriam assegurar a estabilidade política e a estabilidade da política económica são os primeiros a abandonar o barco”, o que considera preocupante.

“E em relação ao futuro, uma nota de alerta que hoje também foi debate aqui na Assembleia da República: a transferência direta de um ministro das Finanças para o Banco de Portugal como tudo indica irá acontecer – outro tabu que não chegou a ser tabu – é do nosso ponto de vista um péssimo exemplo”, condenou.

Na opinião do liberal, “não é possível acreditar que um supervisor de um sistema possa ter sido até há pouco tempo o gestor e o responsável e a tutela máxima desse mesmo sistema”.

“Para além disso terá no Ministério das Finanças alguém que foi durante anos o seu secretário de Estado. Não podia haver maior proximidade, não podia haver até maior promiscuidade entre supervisor e supervisionado num caso como esse”, apontou.

Assim, na visão do deputado da Iniciativa Liberal, também por isso “hoje não é um bom dia para Portugal”.

“Não é um bom dia para as perspetivas de recuperação económica que Portugal precisa porque temos uma equipa das Finanças que acaba por ter que ser remodelada continuando as más partes da política e não sabendo se vai ter força e engenho para novas políticas que possam interessar mais a Portugal”, justificou.

Segundo uma nota publicada no portal da Presidência da República na Internet, Marcelo Rebelo de Sousa recebeu de António Costa “as propostas de exoneração, a seu pedido, do ministro de Estado e das Finanças, professor doutor Mário Centeno, e de nomeação, em sua substituição, do professor doutor João Leão”.

O Presidente da República “aceitou as propostas”, lê-se na mesma nota.

João Leão é doutorado em Economia pelo Massachusetts Institute of technology (MIT) e integrou a equipa económica de António Costa logo em 2015, tendo feito parte do grupo de economistas preparou o cenário macroeconómico que acompanhou o programa eleitoral do PS.

Secretário de Estado do Orçamento desde novembro de 2015, João Leão tem sido responsável pela política orçamental dos governos de António Costa.

Será João Leão que, no próximo dia 17, vai apresentar na Assembleia da República, a proposto do Governo de Orçamento Suplementar hoje aprovada em Conselho de Ministros.

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