Greve começou com adesão perto dos 100% no setor da Saúde

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A greve geral de 24 horas da Função Pública decretada pela CGTP para esta sexta-feira deve afetar principalmente hospitais e escolas.

No que diz respeito à Saúde, a paralisação apresentava, de madrugada, “números próximos dos 100%” na região Norte, disse à Lusa o coordenador do Sindicato da Função Pública do Norte.

Com início às 20 horas de quinta-feira, o primeiro balanço surgiu perto da meia-noite, numa iniciativa junto ao Hospital Eduardo Santos Silva, em Vila Nova de Gaia, em que a CGTP difundiu os primeiros números da paralisação.

“Nestas quatro primeiras horas, na área da saúde temos paralisações muito perto dos 100% nos hospitais São João, no Porto, Eduardo Santos Silva, em Vila Nova de Gaia, bem como em Braga, Barcelos, Guimarães, Famalicão e Chaves”, descreveu Orlando Gonçalves.

Com o avançar do dia, o coordenador sindical previu que “os números da adesão não devam oscilar muito”, manifestando expectativa de que nos setores da “Saúde, Justiça e Educação a adesão à greve seja muito elevada”.

Esta manhã, há registo de várias escolas fechadas, um pouco por todo o país, com especial incidência nas regiões de Lisboa e Porto.

Arménio Carlos justifica a paralisação

O secretário-geral da CGTP, Arménio Carlos, prevê uma grande adesão à greve, considerando que os “trabalhadores sentem-se injustiçados” e apenas “querem o essencial, que é o reconhecimento da sua capacidade profissional”, apontando, concretamente, à “atualização dos salários”.

O líder sindical marcou presença logo pela manhã junto ao Hospital de Vila Nova de Gaia, onde fez um balanço da adesão à comunicação social e explicou os motivos para a greve geral, que passa por afastar um regresso à “política de recessão”.

O sindicalista antecipou que “todos os serviços em geral [serão afetados], um pouco por todo o lado”, sendo a saúde um dos mais visado.

Arménio Carlos esclareceu, contudo, que os serviços mínimos nos hospitais estão a ser cumpridos, porque “os sindicatos CGTP asseguram estes serviços” e não “colocam em causa a vida das pessoas”.

Pediu ao Governo para “olhar de outra forma” para as reivindicações da CGTP, para que “se possam encontrar soluções”, adiantando que “não basta discutir” e que é “preciso que surjam resultados”.

“Não queremos voltar à política da recessão. Não queremos que os trabalhadores continuem a ser secundarizados. O Governo tem que ir mais longe em relação à valorização dos trabalhadores e à distribuição de rendimento. Nós não queremos guerra. Quem está a fazer greve vai descontar um dia de salário”, disse, sublinhando ainda que há trabalhadores no Hospital a receberem o salário mínimo.

Arménio Carlos afirmou que o problema “não é o dinheiro”, dando como exemplo as despesas do Estado com as parcerias publico-privadas, nomeadamente “em rodoviárias e saúde”.

“No Fundo de Resolução estão previstos 850 milhões de euros para continuar a financiar os bancos privados, depois de tudo o que se passou e num momento em que esses bancos estão a apresentar lucros, justifica-se que o lucro seja distribuído por esses acionistas e que os portugueses continuem a pagar com os seus impostos as fraudes e a má gestão da banca? Temos muitas áreas onde se pode poupar e também investir”, deu também como exemplo.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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