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Grupo de consumidores reclama por “saque” praticado pela Águas do Alto Minho

Viana do Castelo, 15 abr 2020 (Lusa) – Um grupo de cerca de 170 consumidores subscreveram uma reclamação enviada por ‘email’ à empresa Águas do Alto Minho (AdAM), a contestar o que classifica de “verdadeiro saque” aos bolsos dos munícipes do distrito de Viana do Castelo.

Além da empresa que faz a gestão das redes de água em baixa e de saneamento do Alto Minho, o ‘email’, a que a agência Lusa teve hoje acesso, foi endereçado às sete câmaras que a integram a AdAM, “exigindo um debate, a revisão e o respetivo recuo num verdadeiro saque aos bolsos dos vianenses e de outros munícipes do distrito de Viana do Castelo”.

No documento, aqueles consumidores dizem ser “inglório tentar comunicar telefonicamente com os serviços”.

“Perde-se tempo a insistir na ligação que nunca é atendida. Tal facto já acontecia antes de se ter entrado em período de pandemia. A covid-19 não pode servir de desculpa para tudo”, sustentam, adiantando que “as respostas escritas às reclamações feitas por ‘email’ também não serem esclarecedoras.

A AdAM é detida em 51% pela Águas de Portugal (AdP) e em 49% por sete municípios do distrito de Viana do Castelo (Arcos de Valdevez, Caminha, Paredes de Coura, Ponte de Lima, Valença, Viana do Castelo e Vila Nova de Cerveira), que compõem a Comunidade Intermunicipal (CIM) do Alto Minho.

Três concelhos do distrito – Ponte da Barca, Monção e Melgaço – reprovaram a constituição daquela parceria.

A nova empresa começou a operar em janeiro, “dimensionada para fornecer mais de nove milhões de metros cúbicos de água potável, por ano, a cerca de 100 mil clientes e para recolher e tratar mais de seis milhões de metros cúbicos de água residual, por ano, a cerca de 70 mil clientes”.

O grupo de cidadãos subscritor da reclamação agora tornada pública considera que “a transição dos Serviços Municipalizados de Saneamento Básico de Viana do Castelo (SMSBVC) para as Águas do Alto Minho revela-se catastrófica, com evidente prejuízo para os munícipes”.

“O aumento dos valores nas faturas de água é descomunal, descabido e vergonhoso. Os valores apresentam aumentos que oscilam entre os 40% e os 114%”, refere o ‘email’ com a designação “Gentes de Viana”.

Aquele grupo cívico aponta ainda a “duplicação dos períodos de faturação, erros na distribuição de metros cúbicos, queixando-se também “de comunicar as leituras e da empresa insistir em acrescentar valores por estimativa, agravando o montante a pagar”.

“As faturas não são remetidas aos munícipes em tempo útil. Há munícipes à espera há dois meses. Existem erros grosseiros nas faturas, que apresentam períodos de contagem diferentes para vários munícipes, o período de fornecimento de contagem é diminuto (dois dias) e para o débito direto foram fornecidos dados do munícipe à nova empresa sem que o mesmo tenha autorizado por escrito”, referem.

“Exige-se a análise e correção das questões apontadas, com o respetivo recuo não só no aumento escandaloso nas faturas de água como nos procedimentos administrativos desorganizados que roçam os limiares da incompetência”, lê-se na reclamação.

No início deste mês, a Câmara de Viana do Castelo informou que as tarifas de água praticados pela AdAM aumentaram “apenas 0,02%, face a dezembro de 2019” devido à “obrigatoriedade legal de aplicar IVA de 6%”.

Em comunicado enviado às redações, a autarquia presidida por José Maria Costa reafirmou a sua “solidariedade e apoio ao trabalho que está a ser efetuado pelos trabalhadores dos sete municípios, cedidos à AdAM, que com dedicação, vencem diariamente as dificuldades de um processo novo, conjuntamente com a administração e está a dar o seu melhor na montagem de um projeto que beneficia os cidadãos do Alto Minho”.

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