Grupos violentos inflitrados na segurança noturna

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O Relatório Anual de Segurança Interna (RASI) de 2016 alertava para existência de grupos violentos e organizados infiltrados na atividade de segurança privada, sobretudo naquela que é desenvolvida no contexto de diversão noturna.

“Os grupos violentos e organizados continuaram a promover os seus ilícitos criminais procurando, sempre, instrumentalizar setores de atividade que lhes permitam obter proventos económicos elevados.

A atividade de segurança privada, sobretudo aquela que é desenvolvida no contexto de diversão noturna, tem consolidado, ao longo dos últimos anos, o seu perfil atrativo para a infiltração deste tipo de grupos”, indicava o RASI, divulgado a 31 de março.

No capítulo “ações, operações e exercícios no âmbito da segurança interna”, o RASI destacava que o acompanhamento, em 2016, de grupos criminosos violentos e organizados com atuação no âmbito da atividade segurança privada permitiu a identificação e caracterização de diversos agentes de ameaça.

Segundo a PSP, vigilantes de segurança privada a prestar serviço na discoteca Urban Beach, em Lisboa, agrediram, na madrugada de quarta-feira, três pessoas que se encontravam nas imediações deste estabelecimento, tendo sido feito um vídeo, onde ficaram registadas as agressões.

Um dos seguranças envolvidos nas agressões foi detido hoje de madrugada pela PSP por “fortes indícios” do crime de ofensas à integridade física graves, estando os restantes identificados pela Polícia.

No âmbito da fiscalização à segurança privada, o RASI dá conta que em 2016 foram controlados 26.370 pessoas, mais 17,8% do que em 2015, com particular destaque para os estabelecimentos de restauração e bebidas, grandes superfícies comerciais e recintos desportivos.

Segundo o RASI, as forças de segurança realizaram 12.806 ações de fiscalização no âmbito da segurança privada, mais 45% do que em 2015, que resultaram na detenção de 39 pessoas e deteção de 123 crimes e 1.926 infrações contraordenacionais, menos 10,8% que no ano anterior.

Entretanto, o Ministério da Administração Interna (MAI) ordenou o encerramento do espaço hoje de madrugada, alegando não só o episódio de quarta-feira, mas também as 38 queixas sobre a Urban Beach apresentadas à PSP desde o início do ano.

O Ministério Público também já abriu um inquérito sobre as agressões, investigação que decorre em articulação com a PSP.

O MAI determinou também hoje que a PSP fiscalize a atividade da empresa PSG, responsável pela segurança privada da discoteca Urban Beach, em Lisboa, e convocou o Conselho de Segurança Privada para analisar a situação de violência ocorrida.

A discoteca vai ficar fechada durante seis meses.

Este artigo foi publicado originalmente no Diário de Notícias

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