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Homens que se faziam passar por inspetores da ASAE extorquiam vítimas por telefone

Redação, 22 jul 2020 (Lusa) — Os dois homens hoje detidos por se fazerem passar por inspetores da Autoridade de Segurança Alimentar e Económica (ASAE) extorquiam as vítimas por telefone, nunca se apresentando nos estabelecimentos que contactavam, disse hoje o diretor da Polícia Judiciária (PJ) de Faro.

Em conferência de imprensa, António Madureira adiantou que os suspeitos telefonavam para as vítimas, sobretudo empresários da restauração, dando conta de uma suposta queixa de irregularidades no estabelecimento, prometendo arquivar os processos a troco de dinheiro.

Segundo aquele responsável, os homens pediam “quantias a rondar entre os 400 e os 600 euros” para encerrar alegados processos de fiscalização, que as vítimas pagavam por transferência bancária, mas sempre por telefone, nunca aparecendo nos locais.

Os homens, residentes na zona de Lisboa, terão extorquido “dezenas de milhares de euros” a empresários de várias zonas do país, “desde o Algarve ao Minho”, tendo sido identificados, até agora, cerca de 50 lesados, embora as autoridades acreditem que possam ser mais.

“Queria apelar a todos os eventuais lesados, porque nós acreditamos que ainda temos uma ínfima parte daquilo que será a atuação deste grupo, embora tenhamos situações desde o Algarve ao Minho, a todos os que eventualmente foram contactados com este modo de atuação o denunciassem às autoridades”, sublinhou.

O diretor da PJ de Faro aproveitou para reforçar que nenhuma entidade fiscalizadora “encerra processos a troco de dinheiro”, notando que o modo de atuação “não é inédito”, embora seja “menos vulgar” o facto de os suspeitos nunca se apresentarem nos locais.

A investigação ao caso foi desencadeada pela diretoria do Sul da PJ há “cerca de seis meses”, acrescentou António Madureira, estimando que os homens, de 55 e 32 anos, atuassem há “cerca de um ano”.

A investigação tutelada pelo Ministério Público de Serpa, no distrito de Beja, por ter sido a localidade onde foi desencadeada a participação inicial, por parte de um lesado.

O caso chegou à PJ não só através de denúncias feitas por alguns estabelecimentos, como pela ASAE, que conseguiu “compilar uma série de reclamações que lhe foram chegando”, concluiu.

Os detidos, sem qualquer atividade profissional e com antecedentes criminais pelos crimes de furto e tráfico de droga, são suspeitos de burla qualificada, extorsão e abuso de designação, sinal ou uniforme.

Os dois vão agora ser presentes a interrogatório judicial para a aplicação de eventuais medidas de coação.

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