Obrigado por visitar o Informa+

Utilizamos cookies para melhorar a experiência do utilizador, fornecer funcionalidades de redes sociais, personalizar conteúdos, anúncios e analisar o tráfego no site. Consente? Pode alterar as suas definições de cookies em qualquer altura.

PUB
Categories: Sociedade
| Em
06/01/2020 09:50

Hospital CUF abriu inquérito e afastou médica que não detetou rutura do baço de menina que morreu

Leonor, uma menina de 12 anos, morreu no passado dia 22 de dezembro, depois de ter alta das urgências da CUF. A menina foi vista por uma médica que indicou que as dores nas costas que sentia podiam ser “uma chamada de atenção”.

PUB

Segundo testemunho da mãe da criança, Xana Martinho, a menina queixava-se com dores muito fortes nas costas. Foi atendida duas vezes no hospital privado CUF, em Almada.

Depois de ter alta da urgência, a menina entrou em hipotermia e começou a ficar com manchas roxas no corpo. Xana chamou o INEM, que levou a criança para o Garcia de Orta.

“Fizeram-lhe análises ao sangue, TAC ao tórax, raio-x, tudo o que na CUF não fizeram. O sangue estava normal, não tinha pneumonia, mas a TAC ao tórax acusava o músculo cheio de sangue. Os médicos iam fazer-lhe uma TAC ao cérebro quando a minha menina entrou em paragem cardíaca. A primeira vez conseguiram reanimá-la, na segunda o coraçãozinho dela não resistiu”, conta a mãe no facebook.

Segundo o Correio da Manhã, a médica que atendeu a menina nas Urgências da CUF não detetou a rutura do baço de menina, que lhe provocou a morte.

Entretanto o Hospital CUF já abriu um inquérito interno e retirou a médica em causa das escalas da Urgência.

Leia aqui o testemunho da mãe:

“Muita gente me tem perguntado a causa do falecimento da minha menina. Para mim é difícil estar sempre a repetir a mesma coisa, por isso vou relatar aqui o que aconteceu. Sei também que as pessoas não fazem por mal ao perguntar. A morte, principalmente de uma criança, assusta toda a gente e muitos conseguem encontrar algum conforto quando existe uma explicação.


A Leonor na 3ª feira antes de as aulas terminarem deu um jeito às costas. Ela desdramatizou o caso porque diz que foi a pôr a mochila (que andava sempre extremamente carregada) ao ombro e que tinha sentido apenas uma pontada. Ainda foi à aula de dança e ao almoço queixou-se que lhe estava a doer mais. Não tendo aulas à tarde, ficou a descansar.


Na 4ª de manhã continuava com dores e estava com febre. Levei-a às urgências da CUF do Monte da Caparica. Foi a pediatra da Leonor que estava de serviço. Observou-a, pediu análises à urina para despiste de infeção urinária e como estas estavam com valores normais, medicou-a para um problema muscular que deveria à partida desaparecer em 3, no máximo 5 dias.


Na 5ª e na 6ª feira a Leonor tomou a medicação e, apesar de passar grande parte do dia deitada, já se levantava e já se conseguia sentar melhor. No entanto de 6ª para sábado não dormiu nada, porque não arranjava posição para se deitar que não lhe doesse. A medicação já não lhe atenuava sequer as dores. Portanto, no sábado, dirigi-me novamente com a Leonor às urgências da CUF, já que tinha sido aí que ela tinha sido observada e onde lhe tinham dado a medicação. A Leonor entrou cheia de dores, com pulseira laranja (a 2ª mais grave). Fomos atendidas por uma pediatra que nem a camisola lhe mandou tirar. Mandou aplicar-lhe por via intravenosa, a medicação que ela tinha estado a tomar em casa: diazepam, paracetamol e cetorolac. A Leonor adormeceu quando estava a receber o tratamento (estava exausta), mas quando acordou começou novamente a gritar com dores. Além de ter tido que ouvir um enfermeiro dizer à minha filha que ela não podia gritar porque havia outras pessoas doentes, ainda fui chamada à parte pela médica que me disse que a Leonor não podia estar com tantas dores porque o que tinha tomado era muito forte. Suspeitava que a situação fosse uma chamada de atenção porque ela tinha ido a caminhar normalmente para a enfermaria e só quando me viu atrás dela é que tinha começado a gritar. Mandou-me marcar uma consulta com um pedopsiquiatra porque ela estava na adolescência e que só nos conhecia há poucas horas, não sabia os problemas que nós tinjamos. Disse ainda que se não passasse para marcar para um ortopedista ou para a pediatra. Perguntei-lhe se a nível de medicação havia alguma coisa que ela pudesse tomar já que ela não parava com dores e a médica receitou-lhe um emplastro.


De sábado para domingo foi a pior noite, a Leonor não parava com dores, nem sequer com medicação, nem no sofá, nem na cama. Medi-lhe a temperatura, tinha 34,7, estava a entrar em hipotermia, quando a fui vestir tinha o corpo com manchas roxas. Chamei o INEM. Quando chegou ao Garcia de Orta, a Leonor ia hipotensa e com taquicardia. Quando entrou, teve uma equipa de médicos e de enfermeiros que nunca mais a largou. Fizeram-lhe análises ao sangue, TAC ao tórax, raio-x, tudo o que na CUF não fizeram. O sangue estava normal, não tinha pneumonia, mas a TAC ao tórax acusava o músculo cheio de sangue. Os médicos iam fazer-lhe uma TAC ao cérebro quando a minha menina entrou em paragem cardíaca. A primeira vez conseguiram reanimá-la, na segunda o coraçãozinho dela não resistiu. Os médicos suspeitavam de uma infeção ou de a Leonor estar a perder sangue. Neste momento, aguardamos o resultado da autópsia.

Seja como for, há duas coisas que tenho que deixar aqui para todos os meus amigos que têm filhos: os hospitais privados não são melhores do que os públicos. A pediatria do Garcia de Orta é excelente e incansável. Tudo fizeram para salvar a Leonor e quando não o conseguiram ficaram devastados. E, pelo amor de Deus, nunca acreditem que os vossos filhos ou netos têm dores psicológicas, sem lhes terem, feito todos os exames possíveis e imaginários. Ainda não sei do que a minha filha faleceu e até pode ser algum problema que ainda não tivesse sido diagnosticado e a CUF até tem excelentes profissionais, mas é inadmissível a minha filha ter entrado com uma pulseira laranja nas urgências, e não lhe terem feito análises, uma TAC, um raio-x, o que fosse. e ainda me dizerem que era tudo psicológico. Deixo-vos aqui o meu testemunho que vale o que vale e os meus votos de muita saúde para todos, porque ninguém merece uma dor destas.”

PUB
Gostar da página do Informa+ no facebook. Clique ➜
Partilhar
Mais informação sobre: CUF
PUB
Comente. Dê a sua opinião
PUB