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07/02/2020 15:49

Iniciado processo para classificar moinhos de vento do Oeste património nacional

Por Lusa

A Direção-Geral do Património Cultural (DGPC) iniciou o processo de classificação dos moinhos de vento da região Oeste a património nacional, segundo o anúncio de abertura de procedimento publicado hoje em Diário da República.

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A DGPC abriu procedimento de classificação para 13 moinhos do concelho do Cadaval, no distrito de Lisboa, os primeiros deste processo, afirmou à agência Lusa o secretário executivo da Comunidade Intermunicipal do Oeste, Paulo Simões.

Os 12 municípios e a OesteCim estão a submeter à DGPC a candidatura dos moinhos situados em cada concelho, enquanto fazem o levantamento dos existentes e elaboram uma estratégia para a sua valorização, acrescentou.

A decisão de candidatar os moinhos a património nacional já foi tomada pela OesteCim em 2016, depois do repto lançado por Fátima Nunes, descendente de uma família de moleiros, proprietária de um moinho ainda em funcionamento, que pretende “manter vivo este património”.

Na investigação que entregou à OesteCim e que serviu de ponto de partida para este processo de candidatura, a que a Lusa teve acesso, Fátima Nunes refere que a região delimitada a Norte pelo rio Lis, em Leiria, e a Sul pelo rio Sado, em Setúbal, “tem o maior número de moinhos de vento por quilómetro quadrado do país”.

Nesta área, é no Oeste onde se concentram mais, devido às características da própria região: o vento e as suas colinas levaram os moleiros a construir moinhos de vento, em vez de moinhos de água.

“O avistamento dos tradicionais moinhos de vento no cimo de colinas é uma marca distintiva da paisagem da região Oeste”, sublinha.

Surgiram no século XVI, por influências oriundas dos quatro cantos do mundo e das Descobertas, que trouxeram o conhecimento sobre as tecnologias náuticas de aproveitamento da força dos ventos, e permaneceram em funcionamento até à segunda metade do século XX.

Se, por um lado, os moinhos desempenharam um importante papel no dia-a-dia ao garantir o abastecimento de farinhas para o fabrico do pão, por outro os moleiros tornaram-se grandes engenheiros na construção de moinhos e surgiram à sua volta tradições, sobretudo orais e ligadas à etnografia da região.

Com a Revolução Industrial e a chegada da moagem e da panificação industriais, os moleiros deixaram de conseguir competir com a indústria e foram aos poucos abandonando a atividade e, por conseguinte, os moinhos.

Para Fátima Nunes, não só há o “perigo” de se perder este património, como também a paisagem, com o crescimento urbanístico e até a transformação de alguns deles em alojamentos rurais.

“Mais do que a conservação de paredes, madeiras, pedras, cordas e panos, é preciso preservar o “saber fazer”, a técnica, lendas e tradições”, alerta.

Hoje ainda existem moinhos, moleiros e famílias que mantêm a tradição de cozer pão caseiro em forno de lenha com farinha do moinho, por isso, com a candidatura procura-se preservar este património, criando financiamento para a recuperação de moinhos e legislação que valorize estas estruturas, para dinamizar a região, relançar a economia regional e atrair investimento.

Para que as gerações mais novas não percam estas memórias, defende-se a criação de uma rede de moinhos, de um centro interpretativo e de quintas pedagógicas que integrem todo o processo, desde a produção dos cereais à moagem e ao fabrico do pão.

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