in

Investimento empresarial deverá cair 8,9% em 2020 penalizado pela pandemia – INE

Redação, 09 jul 2020 (Lusa) – O investimento empresarial deverá diminuir nominalmente 8,9% em 2020, contrariamente à previsão de aumento de 3,6% avançada em janeiro, devido ao impacto da pandemia na atividade económica e expectativas das empresas, divulgou hoje o INE.

“De acordo com as intenções manifestadas pelas empresas no Inquérito de Conjuntura ao Investimento de abril de 2020 (com período de inquirição entre 01 de abril e 25 de junho de 2020), o investimento empresarial em termos nominais deverá diminuir 8,9% em 2020, o que compara com a previsão inicial de aumento de 3,6% no inquérito de outubro de 2019 [divulgado a 24 de janeiro] sobre as intenções para 2020”, refere o Instituto Nacional de Estatística (INE).

Segundo explica, a contração do investimento e a revisão em baixa face aos resultados do inquérito anterior “refletem o impacto da pandemia covid-19 na atividade económica e nas expectativas das empresas, que se fez sentir significativamente a partir de março de 2020”.

“É importante notar que cerca de 51% das respostas das empresas foram obtidas ainda durante o mês de abril, sendo portanto possível que algumas das respostas não traduzam ainda reajustamentos das intenções de investimento e reflitam ainda os planos pré-pandemia”, precisa o instituto estatístico.

Os resultados do inquérito agora divulgado apontam ainda para um crescimento nominal de 4,3% do investimento em 2019, revendo em alta o resultado apurado no inquérito de outubro (3,8%).

Segundo o INE, relativamente a 2020, oito das 13 secções apresentam taxas de variação negativas da Formação Bruta de Capital Fixo [FBCF] empresarial, destacando-se com contributos negativos “mais acentuados” as ‘indústrias transformadoras’ (contributo de -6,0 pontos percentuais e variação de -21,5%) e o ‘comércio por grosso e a retalho’; ‘reparação de veículos automóveis e motociclos’ (contributo de -3,0 pontos percentuais e variação de -18,2%).

Em sentido inverso, as secções de ‘transportes e armazenagem’ e de ‘atividades financeiras e de seguros’ registam os contributos positivos mais significativos para a variação do investimento total em 2020 (+3,1 e +0,7 pontos percentuais, respetivamente), correspondentes a taxas de crescimento de 39,6% e 9,8%, pela mesma ordem.

De acordo com o INE, o “principal fator limitativo” do investimento empresarial identificado pelas empresas em 2019 e 2020 foi a deterioração das perspetivas de venda, seguindo-se, em 2019, a incerteza sobre a rentabilidade dos investimentos e em 2020 outros fatores limitativos.

Entre 2019 e 2020 prevê-se um aumento do peso relativo da deterioração das perspetivas de venda e uma redução do peso relativo da dificuldade em contratar pessoal qualificado.

Analisando os destinos do investimento, verifica-se que o crescimento de 4,3% da FBCF empresarial em 2019 resultou dos contributos positivos do investimento em construções (2,1 pontos percentuais), em equipamentos (1,3 pontos percentuais) e em outros investimentos (1,1 pontos percentuais), enquanto o investimento em material de transporte apresentou um contributo negativo (-0,2 pontos percentuais).

Para 2020, o investimento em equipamentos (-7,5 pontos percentuais), em material de transporte (-3,7 pontos percentuais) e em outros investimentos (-1,6 pontos percentuais) apresentam contributos negativos para a variação do investimento total (-8,9%), enquanto o investimento em construções apresentou o único contributo positivo (3,8 pontos percentuais).

Já no que se refere ao objetivo do investimento, quer em 2019, quer em 2020, para o total das atividades, o investimento de substituição é o mais referido (com um peso de 39,9% na média dos dois anos), seguindo-se o investimento de extensão da capacidade de produção (36,7%).

Os objetivos de outros investimentos e de racionalização e reestruturação representaram, respetivamente, 14,6% e 8,8% do total do investimento empresarial na média dos dois anos.

Relativamente às empresas exportadoras, a extensão da capacidade de produção também se destacou como o principal objetivo do investimento em 2019 e 2020 (peso de 42,7% na média dos dois anos), seguindo-se o investimento de substituição (30,1%).

O autofinanciamento continua a ser a principal fonte de financiamento das empresas, representando 66,9% e 66,3% do total em 2019 e 2020, respetivamente, seguido do crédito bancário (19,9% na média dos dois anos).

O Inquérito de Conjuntura ao Investimento do INE foi realizado a uma amostra de 3.622 empresas com mais de quatro pessoas ao serviço, com um volume de negócios no ano de seleção da amostra de pelo menos 125 mil euros.

Deixe uma resposta

Loading…

0

Covid-19: Albuquerque diz que Madeira apenas recebeu do Estado “desdém, arrogância e indiferença”

Covid-19: PSP adverte que futebol não é exceção às regras de saúde pública