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07/11/2019 15:12

Jovem morre após 112 ignorar queixas: “Não te oiço a asfixiar…”

Uma família espanhola está a acusar o INEM (SUMMA 112, em Madrid) de não ter ativado o protocolo correto e de não ter evitado a morte do filho de 24 anos.

O jovem Aitor García Ruiz dizia não conseguir respirar, sentindo-se a asfixiar. A mãe ligou para os serviços de emergência a pedir ajuda. O médico que atendeu a chamada não terá dado a importância devida ao caso.

O médico exigiu falar com o jovem e garantiu que ele conseguia “respirar perfeitamente”.

Segundo a mãe, depois de desligar a chamada, Aitor perdeu os sentidos e “não voltou a abrir os olhos”.

“Gastou o pouco ar que lhe restava a dizer que estava a asfixiar. Mal desliguei o telefone perdeu os sentidos”, cita o El Mundo.

Aitor entrou em morte cerebral e morreu quatro dias depois. A autópsia apurou que sofreu um embolia pulmonar.

Esta quinta, em conferência de imprensa organizada pela Associação de Defesa do Paciente ouviu-se a gravação da primeira chamada.

Mãe: Olhe, [o meu filho] levantou-se e ficou tonto. Eu estava na cozinha e senti-o a cair
Médico: Sim
Mãe: E começou a suar muito. Agora ficou frio, mas cheio de suores
Médico: Ele está a tomar alguma coisa?
Mãe: Não, não
Médico: Teve um desmaio, então
Mãe: E está… diz que não consegue respirar
Médico: Está bem. Passe-me o telefone, por favor
Mãe: A quem? Ao miúdo?
Médico: Claro
Mãe: Não posso, não posso
Médico: Tem que falar com o médico
Mãe: Mas ele não consegue!
Médico: Minha senhora, se estivesse no hospital com um médico, tinha que falar com ele, ou não?
Mãe: Sim, mas você…
Médico: É indiferente se é por telefone ou não, tem que falar com o médico
Mãe: Ele diz que não consegue respirar
Médico: Pronto, está bem, mas preciso de o avaliar. Ele pode precisar de uma ambulância, de um médico…
Mãe: Olha, o médico diz que tens que falar com ele, para ver o que tens


Médico:
Diz-me, o que se passa, conta-me um bocadinho
Aitor: Estou a asfixiar…
Médico: Eu não te oiço a asfixiar. Tens estado nervoso com alguma coisa?
Aitor: Não [sem conseguir vocalizar]
Médico: Então, estás a tomar alguma coisa?
Aitor: Não consigo… Estou a asfixiar…
Médico: Passa-me à tua mãe
Aitor: Não consigo
Médico: Passa-me à tua mãe

Mãe: Veja como está
Médico: Não, está a respirar perfeitamente. Está em tratamento psiquiátrico?
Mãe: Não, não, nada [ao fundo, ouve-se Aitor a gritar: “estou a asfixiar”]
Médico: De nada? Tomou alguma…
Mãe: Não. Olhe, ontem nem saiu nem nada, esteve enfiado em casa o dia todo
Médico: Bem, um médico vai vê-lo. Mas será que não tomou nada?
Mãe: Não, não
Médico: Algum medicamento ou assim?
Mãe: Não
Médico: Está a respirar perfeitamente, percebe? Respira perfeitameeeente
Mãe: Mas diz que não consegue respirar
Médico: Ele diz o que quiser, mas respira perfeitamente porque fala perfeitamente, está bem?
Mãe: Não sei…
Médico: Sim, respira. Vá, até logo. Parece que tomou alguma coisa. Não sei. Vamos aí vê-lo.

Segundo o pai Bartolomé, Aitor “perdeu a oportunidade para que vivesse”.

O casal exige uma indemnização de 175 mil euros à Comunidade de Madrid pela morte do filho.

O advogado dos pais de Aitor pretende seguir com os áudios para tribunal.

“A Comunidade de Madrid não só se nega a assumir a sua responsabilidade como nem sequer identificou os médicos que participaram no sucedido”, afirmou Carlos Sardinero.

Redação

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