Lisboa vai ter uma Beer Mile com cerveja a cada 400 metros

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Gonçalo Sant’Ana, arquiteto de formação e cervejeiro de coração, é o cérebro por detrás da Lisbon Beer Week. Em entrevista à Evasões, revela aquilo que se pode esperar do evento, cuja segunda edição acontece na capital a 16 de setembro.

Em que momento é que a cidade esteve pronta a receber um evento destes?

A primeira edição da Lisbon Beer Week foi o ano passado, mas podíamos ter tido um festival deste género em 2014, quando houve uma mudança na mentalidade sobre aquilo que é a cerveja. Para mim também era importante poder juntar diferentes propostas dessa temática neste festival. Vamos ter visitas a fábricas de cerveja em Lisboa, workshops para aprender a fazer em casa, provas e degustações, a corrida da Beer Mile, em que a cada 400 metros se bebe uma cerveja (33cl). E food pairing em bares e restaurantes. No final, haverá um festival no jardim do Torel com cerveja selecionada de todo o país e atividades para a família toda.

Um festival de cerveja podia ter acontecido há 10 anos?

Há 10 anos um evento como este era completamente impossível. Não havia cultura cervejeira, fábricas no centro da cidade nem diversidade. Havia procura de consumo, mas não era valorizado. Quando se falava em produzir cerveja em casa as pessoas achavam estranho, porque a imagem que tínhamos era das duas grandes marcas que dominavam o mercado e de fábricas gigantes. Estávamos habituados a entrar em qualquer restaurante e a pedir a carta de vinhos, mas a ter apenas uma imperial. Isso muda quando temos seis fábricas no centro de Lisboa, bares especializados em cerveja artesanal portuguesa e, sim, restaurantes com cartas de cerveja.

O público está mais interessado porque há mais oferta?

A oferta gera interesse e o interesse gera mais oferta. Há 10 anos, começaram a surgir em Portugal os primeiros projetos locais. Estávamos atrasados em relação a Espanha apenas um par de anos. Mas em todos os países com tradição vinícola a cultura cervejeira demorou, naturalmente, mais tempo a entrar.

Quando bebeu a sua primeira cerveja artesanal?

Foi em 1997, na Bélgica, quando descobri que havia muito mais marcas do que aquelas chegavam a Portugal. Estava longe de imaginar que ia fazer a minha cerveja em casa, anos depois. Mais tarde, abri a Oficina da Cerveja, uma empresa de importação e distribuição de equipamentos e matéria-prima, e neste momento forneço todas as marcas que existem cá, desde as microcervejeiras às grandes. Depois lancei a LX Brewery, porque me dava um gozo ser a primeira marca artesanal da cidade de Lisboa. Há 50 anos que não havia nenhuma fábrica, éramos a única capital da Europa sem uma. Hoje temos cerca de 80 marcas artesanais ou locais pelo país.

Um conselho para quem vai, pela primeira vez, a um brewpub ou bar de cerveja artesanal?

Falar com quem está atrás do balcão, pois sabem melhor do que ninguém as cervejas que têm nas torneiras e podem perceber aquela com que se vai identificar mais. Há duas perguntas que se fazem logo: «Gosta de cervejas mais amargas ou mais doces? Mais ou menos fortes de volume alcoólico?». Depois há que prestar atenção ao sabor e ao aroma, é como o vinho. Até agora, só existiram duas pessoas a quem não consegui encontrar um estilo que agradasse. Mas há cervejas para quase todo o espectro de gostos.

Como entrar na Lisbon Beer Week?

O copo oficial da Lisbon Beer Week é o bilhete de entrada no festival. Tem o custo único de três euros e está à venda nos pontos aderentes. A maioria das visitas às fábricas são gratuitas; já os bilhetes para correr a Beer Mile variam entre os 13 e 15 euros, consoante data da compra (lisbonbeerweek.com).

Este artigo foi publicado originalmente na Evasões

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