Mãe da bebé morta pelo “monstro” do Seixal critica atuação da PSP

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Dois meses após a morte da pequena Lara, de 2 anos, e da avó, Helena Cabrita, às mãos de Pedro Henriques, o homem que ficou conhecido como o ‘Monstro do Seixal’, Sandra Cristina, a mãe da criança, fez uma nova publicação na sua página de Facebook.

Na mensagem, acusa a PSP de inação perante os pedidos de ajuda que fez contra o ex-companheiro. “Gritei e xinguei os polícias de toda a maneira e feitio! Disse-lhes tudo o que lhes queria dizer das outras vezes que os procurei e me responderam que não podiam fazer nada”.

Sandra refere que na manhã fatídica seguiu os carros dos bombeiros: “Só pedia por favor para não pararem à frente da casa dos meus pais, mas a minha prece não foi atendida”.

Conta que os agentes da PSP, no local, a trataram com indiferença, mas admite que houve um que se destacou pela positiva: “Ele ouviu de mim exatamente o mesmo que os outros, mas os seus olhos… nos seus olhos vi sentimento, vi emoção”.

Leia o post na íntegra:

“Faz hoje 2 meses que acordei e acreditei que aquele era o tal dia, o dia que ditaria a mudança. Humm… na verdade não estava totalmente confiante. Mesmo com todas as provas que tinha enviado para o tribunal, sendo o mesmo juiz e procuradora, talvez não estivesse assim tão garantido. Mas a minha mamusca transmitia-me positivismo. Ela achava que sim e tinha sempre r
azão, aliás, quase sempre… Houve 2 únicas vezes que falhou e foram em relação a ele, sendo a última fatal.
Parece que ainda estou a ver e a ouvir a ambulância e o carro dos bombeiros. Eu com os quatro piscas do carro accionado e a segui-los. Só pedia por favor para não pararem à frente da casa dos meus pais mas, a minha prece não foi atendida.

Estacionei o carro, saí a correr e a gritar que nem uma louca.

A polícia não me deixou entrar no prédio. O meu pai saiu apoiado num vizinho. Vinha num verdadeiro pranto. Guardo essa imagem gravada como se fosse hoje. Perguntei-lhe pela minha mãe, se estava morta. Só chorava, não me respondeu.

E voltei a fazer a mesma pergunta, desta vez aos polícias. Foi uma pergunta de retórica. Sabia bem a resposta.
Ai a raiva.. mas que tamanha raiva tinha dentro de mim. Gritei e xinguei os polícias de toda a maneira e feitio! Disse-lhes tudo o que lhes queria dizer das outras vezes que os procurei e me responderam que não podiam fazer nada. Disse tudo o que me estava entalado e muito mais!

Qual politicamente correta, qual quê?!

Sempre o fui e de que é que me adiantou?!

Entretanto uma vizinha aproximou-se para me tentar acalmar, o que me irritou ainda mais. Estava completamente descontrolada, mas era o que me fazia sentir “bem” naquele momento. Também tenho esse direito… direito e até dever. Com toda a minha fúria e todas as palavras que proferi, algumas impróprias, devia ter pensado que fosse atacar algum policial. Naturalmente que não! Felizmente ou infelizmente até no meio do descontrolo consigo ser consciente.

Respirei fundo e disse-lhes que não estou contra a polícia mas contra quem está acima deles e lhes dita o poder ou a falta de poder de ação. Estou contra o sistema.

Dos polícias que ouviram tudo o que disse desde que ali cheguei recebi arrogância nas palavras, frieza, altivez…
Mas houve um polícia que teve outra postura. Quando lhe supliquei para me deixar entrar no prédio em vez de me dar um não assertivo, respondeu que não me podia deixar entrar. Ele ouviu de mim exatamente o mesmo que os outros, mas os seus olhos… nos seus olhos vi sentimento, vi emoção…

Diante de mim estava um ser humano em serviço!

Pedi-lhe para conversarmos à parte. Na verdade só eu falei, o sr. agente ouviu e os seus olhos vidrados responderam-me. O que falámos só nós dois sabemos.

Antes de sair dali perguntei-lhe o nome.

Para quê se está escrito no distintivo?!

No momento mal dava para raciocinar. A minha mãe tinha sido assassinada e ele fugiu com a minha princesa. Eu sabia… eu sentia que depois disto ele teria coragem de matar a minha filha. E assim o fez, ou até já o tinha feito.

Passaram-se alguns dias e este polícia não saía do meu pensamento. Senti que tinha de lhe agradecer e fui fazê-lo com o meu pai. Deslocamo-nos à esquadra. Tinha saído em serviço. Ligaram-lhe a informar que lá estávamos e, assim que pôde, veio ter connosco.

E sim, mais uma vez se comprovou que tinha diante de mim um bom ser humano e um bom profissional.

Confessou que pensou estar presente no funeral mas teve receio de não ser bem vindo.
Como seria isso possível perante justamente esta pessoa?!
Fiz questão de o convidar para assistir à missa de sétimo dia. E, no final da missa, quando as pessoas nos vieram cumprimentar, lá estava ele.
Pode não ter feito nada no meu caso, mas porque na realidade não teve oportunidade.

Agora a sua atitude marcou a diferença!

Para si mais uma vez o meu obrigada.

Publicado originalmente em: Correio da Manhã

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