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Manifestações anti-racistas na Europa marcadas por detenções e feridos

Londres, Berlim, Hamburgo e Marselha foram algumas das cidades europeias onde os protestos pacíficos de sábado contra o racismo e em memória do afro-americano George Floyd registaram confrontos, com manifestantes detidos e polícias feridos.

Catorze manifestantes detidos e 10 polícias feridos foi o balanço dos confrontos em Londres durante os protestos pelo assassínio do afro-americano George Floyd a 25 de maio nos EUA, confirmou hoje a polícia londrina.

As prisões ocorreram depois de um pequeno grupo de manifestantes ficar “furioso e violento no final da tarde de ontem [sábado]”, explicou o superintendente Jo Edwards, referindo que na última semana de protestos um total de 23 os agentes ficaram feridos.

O ‘mayor’ de Londres, o trabalhista Sadiq Khan, o primeiro muçulmano a liderar uma capital na União Europeia, elogiou as centenas de milhares de pessoas que protestaram pacificamente e disse que compartilhava sua “raiva e dor”, observando que “a minoria dos violentos” que atiravam garrafas e dispararam fogos de artifício “dececionavam a causa”.

“Precisamos de nos unir e erradicar o racismo onde quer que esteja”, disse Khan, que observou que “nenhum país, cidade, serviço policial ou instituição pode ser absolvido da responsabilidade de fazer as coisas melhor”.

A ministra do Interior britânica, Priti Patel, pediu à população para que não se manifestasse “pela segurança de todos” devido à pandemia da doença covid-19, enquanto a comissária de polícia metropolitana de Londres, Cressida Dick, alertou que concentrações com mais de seis pessoas são “ilegais” devido a restrições impostas ao combate ao vírus.

Na capital alemã, Berlim, também se registaram detenções de manifestantes e polícias feridos durante o protesto que aconteceu sábado contra o racismo e a violência policial em resposta à morte de George Floyd.

Segundo avança a agência de notícias EFE, houve pelo menos 29 polícias com “ferimentos leves” e “93 pessoas detidas” durante o protesto em Berlim.

As detenções em Berlim foram feitas por conduta desordeira, resistência e agressão à autoridade, tentativa de libertação de um detido, falha no cumprimento da proteção contra a lei de infeção e invasão, explicou a polícia de Berlim.

Segundo o comunicado da polícia, os confrontos ocorreram cerca de uma hora após o final da manifestação anti-racista, onde várias centenas de pessoas se reuniram numa rua junto à praça central Alexanderplatz, cercando alguns agentes policiais.

Na cidade de Hamburgo, os protestos contra o racismo também ficaram marcados por confrontos entre várias centenas de manifestantes e a polícia, resultando em várias detenções e pelo menos um oficial ferido.

Algumas pessoas atiraram garrafas e fogos de artifício num ambiente em que a polícia descreveu como “agressivo”.

Em cerca de 20 cidades alemãs, dezenas de milhares de pessoas mostraram sua solidariedade com Floyd no sábado e protestaram pacificamente.

Em França, na cidade portuária de Marselha, a polícia disparou gás lacrimogéneo e gás pimenta durante os confrontos com manifestantes, que atiraram garrafas e pedras durante a manifestação pacífica, mas emotiva, acrescenta a agência.

A manifestação atraiu mais de duas mil pessoas e os manifestantes ajoelharam-se na frente à polícia de choque, com discursos e cânticos antes de sair em uma marcha pela cidade que terminou com confrontos entre policiais e manifestantes.

Em Paris (França), a marcha anti-racista foi pacífica.

George Floyd, 46 anos, morreu após um polícia branco norte americano lhe ter pressionado o pescoço com um joelho durante cerca de oito minutos numa operação de detenção, apesar de a vítima dizer que não conseguia respirar.

A pandemia de covid-19 já provocou mais de 397 mil mortos e infetou mais de 6,8 milhões de pessoas em 196 países e territórios, segundo o balanço feito pela agência francesa AFP.

A doença é transmitida por um novo coronavírus detetado no final de dezembro, em Wuhan, uma cidade do centro da China.

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