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14/02/2020 12:54

Maria Bradshaw sofre com problema de saúde: “Um dia de cada vez…”

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Maria Bradshaw tornou-se conhecida em 2010 depois da participação no Ídolos, da SIC. A jovem cantora ganhou centenas de fãs e conseguiu iniciar-se no mundo da música, mas nem tudo foi fácil.

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Esta quinta-feira, a cantora, agora com 30 anos, falou sobre o drama que viveu há dois anos.

Numa longa publicação, a cantora revelou que lutou contra distúrbios alimentares e a doença de Crohn.

Leia aqui o seu testemunho:

“Custa-me ver estas imagens. Pralém de custar, dói muito. Já as quis apagar muitas vezes porque fazem parte dum passado muito negro meu e de uma das piores fases da minha vida. Mas tenho-as todas guardadas e volta e meia faço um scroll e revivo estes momentos. Revivo-os precisamente para me relembrar que nunca mais quero voltar a este sitio. Sei exactamente o que sentia e o que pensava em cada um destes momentos(e tantos outros registados em fotografia).

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Estas imagens foram há pouco mais de dois anos. Eu era profundamente infeliz. Profundamente. Tudo começou com uma dieta. Rapidamente se tornou numa dependência quase como se de uma droga se tratasse. Juntamente com a obsessão da comida se juntou a obsessão do ginásio. Os distúrbios alimentares desenvolvem-se em nós sem sequer darmos conta. Pesava-me em jejum mal acordava, ía ao gym em jejum, voltava, comia uma maçã e pesava-me logo e pensava “bem, amanhã treino o dobro pra queimar isto” e por aí fora. Pesava-me entre 7 a 10 vezes por dia. Quanto menos comesse e mais treinasse, mais ía emagrecer(óbvio).

O meu organismo rapidamente me começou a dar sinais de alerta vermelho mas eu nunca quis dar importância, porque mais importante era treinar e não comer. Foi nesta altura que me diagnosticaram com doença de crohn e o meu corpo já nem absorvia o pouco que eu comia. Cheguei a perder 2kg num só dia por ir à casa de banho com crises. Fiquei anémica durante muito tempo, deixei de ter a menstruação durante um ano. Entrei em depressão profunda neste processo e sofria de uma anorexia nervosa. Cheguei a pesar 44,6kg. O meu peso médio deve ser 57/58kg.

Não há um dia que passe que não pense no que estou a comer, no que me vai fazer, no emagrecer e engordar, no exercício físico que faço ou não, etc. Isto porque quem sofre de distúrbios alimentares(sejam eles de que tipo forem), nunca deixa de viver sem eles. Lembro-me muito bem que a primeira vez que comecei a ter alguma noção disso foi quando há uns tempos a @jessica_athayde numa entrevista disse isso mesmo “nunca deixas de ter um distúrbio alimentar. Tu aprendes a viver com ele”.

Mas apesar disto tudo, o que eu penso e tento manter como um mote de inspiração diário é: não queres voltar ao que eras. Não queres voltar a estar doente como estavas. Ama-te como és, aceita-te como és, um dia de cada vez.

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Honestamente não sei porque é que estou a partilhar isto aqui. Sei que o propósito da minha plataforma é a partilha da realidade da minha vida e acima de tudo a partilha de amor. Sei que há tanta, tanta gente a passar diariamente por batalhas emocionais, psicológicas e físicas tão delicadas, complicadas e complexas. Eu sou uma delas. Houve alguém que me disse (algumas vezes) “depressão é doença de rico”. Era das pessoas mais importantes da minha vida na altura mas nunca conseguiu compreender o que eu estava a viver. Não tinha culpa. Acho que senti que devia partilhar isto porque sei que, com tempo, podemos ficar melhores, podemos ser melhores. Um dia de cada vez.

E talvez desse lado haja alguém que se relacione com isto e se sinta menos só. Porque eu sei o que é viver na profunda solidão(um dos sintomas de depressão) de me sentir sozinha, mesmo estando rodeada de pessoas que me quisessem ajudar. O primeiro passo é saber admitir que algo não está bem em nós e procurar ajuda.

Hoje sou uma mulher mais consciente que, se calhar pela primeira vez teve a coragem de enfrentar, sem medos, este sentimento e partilhá-lo. Com amor, sempre com muito amor🤍”

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