Mais de metade dos novos medicamentos contra o cancro pode não funcionar, diz estudo

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Para entrarem no mercado europeu, todos os medicamentos necessitam da aprovação da Agência Europeia do Medicamento (AEM). Entre 2009 e 2013, a AEM aprovou o uso de 48 medicamentos para aplicação em 68 tipos de tratamento, 57% dos quais (39/68) não possui “provas de beneficiar a sobrevivência ou a qualidade de vida” dos pacientes, afirmam Courtney Davis e Huseyin Naci, principais autores do estudo.

“Avaliámos a base de evidências para todos os novos medicamentos que entraram no mercado ao longo de um período de cinco anos e descobrimos que a maioria entrou no mercado sem provas claras demelhorar a sobrevivência ou a qualidade de vida dos pacientes”, explica Davis, autora e socióloga no Departamento de Saúde Global e Medicina Social do King’s College London.

Após cinco anos de acompanhamento, apenas metade (51%) dos tratamentos se mostrou eficaz na melhoria da capacidade de sobrevivência ou qualidade de vida dos afetados, face a tratamentos já existentes e placebos. Os restantes 31 (49%) mostravam “incerteza” face aos resultados.

“Quando medicamentos caros que carecem de benefícios clinicamente significativos são aprovados e integrados em sistemas de saúde com financiamento público, os pacientes individuais podem ser prejudicados, recursos importantes podem ser desperdiçados e é debilitada a capacidade de prestação de cuidados equitativos e acessíveis”, escrevem os autores.

Face aos resultados obtidos, os autores questionam o processo de aprovação de medicamentos da AEM. “É notável que tantos medicamentos anticancerígenos entrem no mercado europeu sem dados concretos sobre os resultados que interessam a pacientes e médicos: a maior sobrevivência e a melhor qualidade de vida”, diz Naci, professor assistente do Departamento de Politicas da Saúde da London School of Economics and Political Science. “Existe uma clara necessidade de elevar a fasquia no que toca à aprovação de novos medicamentos contra o cancro”.

A AEM ainda não comentou os resultados.

Este artigo foi publicado originalmente na Visão

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