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Ministra nega “decisão política” para desmantelar Hospital dos Covões em Coimbra

Lisboa, 01 jul 2020 (Lusa) — A ministra da Saúde afirmou hoje que “não há decisão política” para desmantelar serviços no Hospital dos Covões nem nenhum plano estratégico para o desenvolvimento do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra.

Marta Temido foi questionada por deputados durante uma audição na comissão parlamentar da Saúde, onde hoje foi ouvida.

“Sobre se tem o Governo algum estudo técnico para justificar a transferência de serviços do Hospital Geral [dos Covões] para os hospitais da Universidade de Coimbra, não. Fundamento para a reclassificação da urgência, não. E estudo que sustente este tipo de opção também não”, respondeu Marta Temido.

“De resto, também não há uma decisão política”, acrescentou, salientando que os estudos técnicos “têm de ser norteadores daquilo que são as opções, mas têm de ser também partilhados e participados”.

A ministra salientou ainda que existe uma equipa de gestão no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), “que começou o seu trabalho há poucos dias”, e defendeu que se deve “apostar no trabalho da construção de um centro hospitalar que seja consistente, sustentável, integrado, e que não privilegie nenhuma das suas instituições originárias por qualquer razão”.

“E também me perguntavam pelo plano estratégico. Também não há nenhum plano estratégico para o desenvolvimento do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra. Pelo menos que tenha sido entregue nos últimos tempos. Não digo que no passado não possa ter existido e até ainda anterior à constituição do centro hospitalar, para cada uma das unidades”, disse.

Várias entidades de Coimbra têm denunciado o alegado esvaziamento do Hospital dos Covões e para hoje está marcada uma caravana automóvel de protesto.

Na segunda-feira, a Assembleia Municipal de Coimbra repudiou o “desmantelamento e destruição de serviços de referência” e a “delapidação de recursos” em saúde e exigiu que a administração do CHUC considere o Hospital dos Covões de “primordial importância”.

A moção, apresentada pelo PS, manifesta “repúdio pela ação de administrações cessantes do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC)”, que têm “demonstrado irredutibilidade no desmantelamento e destruição de serviços de referência, e delapidação de recursos organizativos em saúde”.

Simultaneamente, é colocado “em causa o processo de fusão hospitalar” (no âmbito do qual foi, em 2010, criado o CHUC), acrescenta a moção, que exige à nova administração do CHUC (já nomeada) um Plano Estratégico Funcional, que “respeite e considere” o Hospital dos Covões como “estrutura de referência, que sempre foi, e de primordial importância”.

Pelo seu lado, o novo presidente do conselho de administração do Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra (CHUC), Carlos Santos, negou que esteja em curso qualquer processo de desqualificação do Hospital Geral.

“Os objetivos e os planos para o Hospital Geral não estão nem de longe nem de perto associados a qualquer desqualificação. Pelo contrário, há uma permanente qualificação e projetos para aquela unidade hospitalar, que é absolutamente essencial para a estratégia do CHUC como um todo”, disse o responsável à agência Lusa.

Uma petição com o título “Devolver a autonomia ao Hospital dos Covões do Centro Hospitalar de Coimbra – Pelo direito ao acesso a cuidados de saúde de qualidade” deu entrada na Assembleia da República no dia 01 de junho e é subscrita por 4.493 peticionários.

O CHUC agrega os Hospitais da Universidade de Coimbra (HUC), o Hospital Geral Central (vulgarmente conhecido por Hospital dos Covões), o Hospital Pediátrico, as duas maternidades da cidade (Bissaya Barreto e Daniel de Matos) e o Hospital Psiquiátrico Sobral Cid.

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