Morreu Johan Van Hulst, o professor que salvou centenas de crianças judias

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Johan Van Hulst, o professor holandês que ajudou mais de 600 bebés e crianças judias a escapar das forças nazis durante o holocausto, morreu no dia 22 de março, aos 107 anos. O anúncio foi feito pelo senado da Holanda.

Tudo começou em 1942, dois anos após a invasão alemã da região dos Países Baixos durante a Segunda Guerra Mundial. Nessa altura, Van Hulst dava aulas numa escola protestante em Amesterdão, localizada num bairro predominantemente judeu.

Filho de um estofador de móveis, o professor viu-se a braços com o encerramento da escola por parte do Governo que retirou o financiamento à instituição. Sem baixar os braços, Van Hulst acreditava que a escola podia sobreviver sem subsídios do Estado e com a ajuda de alguns pais, manteve a escola de portas abertas e tornou-se diretor da mesma.

Do outro lado da rua, ficava uma teatro ocupado pelos Nazis para manterem presas as crianças judias separados dos pais. Quando juntavam um grupo grande, enviavam-nos para a escola de Van Hulst, de onde mais tarde seguiriam para um campo de concentração.

Foi nessa altura que o holandês percebeu que seria fácil tentar salvar algumas daquelas vidas e criou um esquema engenhoso para o fazer. O professor começou a falsificar os números das crianças que acolhia. Por exemplo, quando a sua escola recebia 60 estudantes, este registava 75, fazendo com que 15 delas conseguissem escapar, arranjando-lhes esconderijos por toda a parte na cidade de Amesterdão.

Em 1943, a sua tarefa tornou-se ainda mais fácil quando os nazis criaram uma creche ao lado da escola, onde colocavam os bebés antes de serem deportados. Foi aí que Van Hulst uniu forças com os enfermeiros que cuidavam das crianças na creche, entre as quais a icónica Henriëtte Pimentel, um dos maiores símbolos da luta contra o fascismo nos Países Baixos. Durante a noite, foram várias as operações de retirada dos meninos para mais tarde serem entregues a grupos de resistência nazi.

Nenhuma das crianças que fugiu – cujas fugas foram acordadas com os pais – foi descoberta, uma vez que não chegaram a ser registados como recém-chegados à escola de Van Hulst.

Apesar de no total haver registo de ter ajudado mais de 600 crianças, Johan Van Hust sempre disse que poderia ter feito mais. Em vários momentos da sua vida, o político recordou que lhe pesava na consciência as pessoas que não tinha conseguido ajudar para poder salvar outras. “Se fossem 30 crianças eu não podia salvá-las a todas. Tive de decidir muitas vezes e a coisa mais horrível foi ter de escolher entre elas”, confessou.

Durante esse tempo em que se dedicou a ajudar os outros, o professor utilizou um disfarce que fazia com que a maioria das pessosas acreditasse que estava do lado dos nazis, que nunca desconfiaram dos seus planos. Até mesmo Anna, a sua esposa, não tinha conhecimento dos seus planos bondosos, uma vez que Johan não a queria colocar em risco com informações comprometedoras.

Em julho de 1943, o esquema chegou ao fim. Henriëtte Pimentel foi presa nesse mesmo mês e abatida em Auschwitz, algumas semanas mais tarde. Johan Van Hulst viu-se confrontado com o anúncio de que a creche iria ser esvaziada. “Esse foi o dia mais difícil da minha vida. Havia cerca de 100 crianças ali dentro e eu tive de decidir quais levava comigo e quais ajudava”, disse em tempos o professor, fazendo crer que este era o seu maior trauma.

Durante os últimos tempos de guerra, Johan Van Hulst permaneceu exilado, com a ameaça constante de ser capturado pelos nazis.

Finito o conflito, Johan tornou-se numa figura notável da política e da educação na Holanda. A sua antiga escola alberga agora o Museu Nacional do Holocausto.

Em 2015, o professor recebeu uma menção honrosa por parte de Benjamin Netanyahu, o primeiro-ministro israelita, pelo seu esforço de manter a escola aberta durante todo o perído de guerra e de ter desafiado as forças nazis para proteger os judeus. “Aqueles que salvam uma vida salvam o universo. John Van Hulst salvou centenas de Universos”, disse Benjamim Netanyahu durante o seu discurso.

Este artigo foi publicado originalmente no Correio da Manhã

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