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Morreu o ator Armando Venâncio, rosto da TV e pioneiro do teatro independente

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O ator Armando Venâncio, pioneiro do teatro independente em Portugal, conhecido sobretudo pelo trabalho em televisão, morreu na terça-feira, em Lisboa, aos 94 anos, disse hoje à Lusa a Casa do Artista.

Armando Venâncio foi um dos nomes fundadores do Teatro Estúdio de Lisboa, da encenadora e dramaturga Luzia Maria Martins e da atriz Helena Félix, depois de ter iniciado a carreira na Companhia Rafael de Oliveira, em 1945.

Foi porém a televisão que tornou familiar o seu rosto, das noites de teatro da RTP, na década de 1960, à série “Médico de Família”, da SIC, dos anos 1990, sem esquecer as primeiras telenovelas portuguesas, como “Origens” e “Chuva na Areia”.

Nascido na Marinha Grande, em setembro de 1925, Armando Venâncio estreou-se nos palcos aos 19 anos, no “Amor de Perdição”, de Camilo Castelo Branco, que a Companhia Rafael de Oliveira pôs em cena, em Évora, no verão de 1945.

O ator manteve-se próximo da companhia dos Artistas Associados e das suas digressões pelo país, nos anos que se sucederam. Trabalhou também em revista, no Teatro ABC, nas noites de teatro da recém-criada RTP e em produções da Companhia Rey Colaço-Robles Monteiro.

Em 1964, Armando Venâncio foi um dos nomes fundadores do Teatro Estúdio de Lisboa, ao qual se manteve ligado desde a peça inaugural, “Joana de Lorena”, de Maxwell Anderson.

Com esta companhia interpretou autores como Anton Tchekhov (“O pomar das cerejeiras”), Robert Bolt (“Thomas More”), Jean Anouilh (“Pobre Bitô”), Thornton Wilder (“A Nossa Cidade”), Jean Giraudoux (“A louca de Chaillot”), Arnold Wesker (“A cozinha”).

Esteve também no fecho da companhia fundada por Amélia Rey Colaço e Robles Monteiro, fazendo parte do elenco de “O concerto de Santo Ovídio”, de Antonio Buero-Vallejo, e do derradeiro espetáculo posto em cena, “Sábado, domingo e segunda”, de Eduardo de Filippo, estreado em fevereiro de 1974, no Teatro da Trindade.

A base de dados do Centro de Estudos de Teatro, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, associa ainda o nome de Armando Venâncio à Casa da Comédia, onde fez “A caixa de Pandora”, de Fernando Amado, e aos anos fundadores do Teatro Maria Matos, que incluem o seu desempenho em “Tombo no inferno”, de Aquilino Ribeiro, que inaugurou a sala de espetáculos, e em “A relíquia”, de Luís de Sttau Monteiro, com direção de Artur Ramos.

Em 1975, Venâncio fundou o Teatro do Povo, com o ator Pedro Pinheiro, pondo em cena criações como “Avenida da Liberdade” e “Uma canção no pão”.

No Teatro Popular, que reuniu nomes Jorge Listopad e Norberto Barroca, fez, entre outras peças, “Jesus Cristo em Lisboa”, de Alexandre O’Neil e Mendes de Carvalho, partir de Raul Brandão e Teixeira de Pascoaes.

O trabalho em televisão de Armando Venâncio remonta às dramatizações do início da década de 1960, como “A Pérola”, sobre John Steinbeck, de Herlander Peyroteo, ou “A Vida é um Sonho”, de Ricardo Alberty, por Jorge Listopad, e “Transmissão Interrompida”, de Ruy Ferrão.

Nos anos de 1980 e 1990 tornou-se presença regular no ‘pequeno écrã’, primeiro em séries dramáticas como as adaptações de “Os Maias” e “A Tragédia da Rua das Flores”, de Eça de Queirós, por Ferrão Katzenstein, depois nas telenovelas que afirmaram a produção portuguesa, como “Cinzas”, “Origens”, “Chuva na Areia” e “Verão Quente”.

A série “Médico de Família”, transmitida pela SIC entre 1998 e 2000, surge como o seu derradeiro trabalho em televisão.

No cinema, entrou em “O Judeu” (1996), de Jom Tob Azulay, e “Verde por Fora, Vermelho por Dentro” (1980), de Ricardo Costa.

Segundo a Casa do Artista, onde Armando Venâncio viveu os últimos anos, o ator encontrava-se internado no Hospital de Santa Maria, em Lisboa, onde morreu.

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