Mulher faz apelo no Facebook: “Por favor, não me comprem a casa”

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Ana Paula Guedes mora num apartamento em Guimarães e lançou um apelo no mínimo insólito: pede que não lhe comprem a casa.

É que, devido a um imbróglio jurídico, a habitação vai ser posta em leilão depois de amanhã. “Por favor, não me comprem a casa” é o apelo que Ana Paula Guedes fez no Facebook, e que tem sido partilhado por centenas de vimaranenses.

O problema começou em 1997, quando a casa foi paga. Um ano depois, Ana Paula mudou-se para lá, mas a imobiliária EPP, de Felgueiras, nunca se mostrou disponível para fazer a escritura, acusa: “A imobiliária enganou-nos.

O meu pai pagou a casa porque sabia que ia falecer e quis oferecer-ma. Só que a escritura nunca foi feita”.

Na mão de Ana Paula ficou uma declaração da imobiliária a comprovar que o dinheiro foi transferido, e o contrato-promessa de compra e venda.

Os documentos foram suficientes para conseguir impedir que a casa fosse executada pelas dívidas da imobiliária, mas o direito de propriedade nunca foi transmitido.

Ou seja, apesar de ter recebido o dinheiro, a imobiliária nunca entregou o imóvel.

Entretanto, a imobiliária faliu e entrou em processo de insolvência. E no leque de bens figurou o T2 da Rua D. Cristóvão Sousa Ventura, precisamente a casa de Ana Paula. A habitação foi entregue pelo administrador de insolvência ao banco Montepio, ao qual a imobiliária devia dinheiro.

É agora uma empresa de crédito malparado ligada ao Montepio que contratou uma leiloeira online para ajudar na venda da habitação.

“Ainda vou ter de abrir a porta a quem quiser ver a casa para a comprar, quando a casa já foi paga”, desabafa a vimaranense, que vive o drama da propriedade da casa há quase 20 anos.

As soluções jurídicas podem ainda não estar esgotadas, mas o leilão é mais um episódio numa novela de tormento.

Ana Paula soube da licitação em maio passado, quando encontrou a própria casa à venda num leilão eletrónico.

Desde então que voltou a recorrer a advogados para impedir a venda. Depois de amanhã, começa o prazo de licitação, que se prolonga-se até 10 de novembro.

A esperança de Ana Paula é que ninguém tente comprá-la. “Quem fizer oferta vai ter uma data de problemas jurídicos, porque não vou desistir de ter a casa que o meu pai me deixou, pagou e que tem um valor sentimental muito grande”, refere.

O JN tentou, sem sucesso, contactar a EPP.

Este artigo foi publicado originalmente no Jornal de Notícias

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