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“Não há interferência” política na RTP desde a criação do CGI – Nuno Artur Silva

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Lisboa, 06 abr (Lusa) – O ex-administrador da RTP Nuno Artur Silva disse hoje que desde que foi criado o Conselho Geral Independente (CGI), na RTP, “não há interferência do poder político” na estação pública.

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“Tal como é lembrado hoje numa entrevista do presidente do CGI ao Expresso, desde essa altura [criação do conselho, em 2014] não há interferência do poder político na RTP, ponto”, considerou hoje Nuno Artur Silva durante o debate “O Estado e o Jornalismo — Tutela, necessidade ou tentação?”, que decorreu hoje no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

O ex-administrador responsável pelo pelouro dos conteúdos da estação pública, entre 2014 e 2018, garantiu que tanto durante o governo de Pedro Passos Coelho (PSD/CDS-PP) como no de António Costa (PS) não houve interferência política na RTP, dizendo que no seu período não existiram reuniões “com ministros da tutela para falar sobre conteúdos”, algo que “havia antigamente”.

De acordo com Nuno Artur Silva, essa inexistência justifica-se “porque o modelo [do CGI] funciona”, uma vez que “é muito diferente a pessoa reunir com um administrador que dá uma ordem para tirar, e uma pessoa reunir com um ministro que não tem hipótese de com a sua ordem fazer o que quer que seja”, uma vez que não pode demitir administradores.

“É muito mais difícil neste momento interferir na linha editorial da RTP do que se calhar fazer pressão num órgão privado, que está muito mais frágil do que a RTP”, considerou, acrescentando que “os ‘checks and balances’ [freios e contrapesos] da RTP têm tudo para funcionar”.

O Conselho Geral Independente “é um modelo recente que ainda não foi suficientemente testado”, e mesmo o facto de não ter sido reconduzido pelo CGI na administração da estação pública faz Nuno Artur Silva “pôr em causa” o órgão, que crê ter trazido “um enorme benefício à questão do serviço público em Portugal”.

Também presentes no debate “O Estado e o Jornalismo — Tutela, necessidade ou tentação?” estiveram José Manuel Fernandes, ‘publisher’ do Observador, Ana Sá Lopes, diretora-adjunta do jornal Público, e ainda Eduardo Moura, antigo jornalista do Diário Económico, numa conversa moderada por Maria Elisa.

José Manuel Fernandes considerou que o papel do Estado no jornalismo é “uma faca de dois gumes”, e usou o exemplo da britânica BBC, que, se por um lado é financiada pelos contribuintes, por outro “os privados que vivem e necessitam de assinantes para sobreviver têm de concorrer no ‘online’ com os conteúdos da BBC”.

Por sua vez, Ana Sá Lopes disse não ter “medo” do Estado, mas sim “dos Governos”, e lembrou que Portugal tem “uma péssima história” no domínio da interferência, tanto em governos PS como PSD.

Já Eduardo Moura comparou o momento atual do jornalismo à chegada ao “pico de uma montanha”, que agora gera “falta de ar”, uma vez que se chegou “ao ponto que o jornalismo queria chegar”, em termos do “grande imediatismo” do direto, bem como de “excitação com as tecnologias”.

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